A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou, em vídeo publicado em 24/06, que seu enteado e senador Flávio Bolsonaro a destratou durante uma ligação telefônica relacionada a assuntos internos do partido. Segundo Michelle, o diálogo terminou com orientações para que ela se afastasse das discussões estratégicas da sigla.
“Ele me maltratou e disse que eu deveria ficar de fora das decisões do partido.”
O breve registro, divulgado nas redes sociais, rapidamente se espalhou por grupos políticos e ganhou destaque em fóruns onde apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro costumam debater os rumos do movimento conservador após o ciclo eleitoral de 2022. No vídeo, Michelle, visivelmente abatida, não detalhou qual decisão motivou o desacordo, mas sustentou que a postura do senador foi “desrespeitosa e inaceitável”.
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, vem sendo citado como possível rosto de uma nova estratégia para a direita no cenário nacional. Já Michelle, que presidiu o núcleo feminino do partido na mais recente campanha, tem sido mencionada por aliados como figura central na mobilização do eleitorado evangélico. A tensão evidenciada na gravação aponta para divergências sobre quem conduzirá a articulação política da legenda nos próximos meses.
Interlocutores próximos ao núcleo familiar relatam, sob reserva, que a conversa citada por Michelle ocorreu no início da semana e envolveu expectativa de participação dela em reuniões com dirigentes estaduais. A ex-primeira-dama teria insistido em submeter propostas de fortalecimento do movimento feminino, enquanto Flávio, ainda de acordo com esses relatos, preferia concentrar as definições na executiva nacional.
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Cientistas políticos observam que disputas internas não são incomuns em partidos recém-saídos de campanhas presidenciais. Entretanto, quando se dão em público, costumam afetar a percepção de unidade do grupo. A avaliação é de que o episódio pode obrigar a cúpula a acelerar a construção de um processo de mediação entre as principais lideranças para evitar que o caso se transforme em desgaste prolongado.
Até o fechamento desta nota, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado publicamente sobre as declarações de Michelle. Nos bastidores, assessores afirmam que ele pretende comentar o assunto somente após reuniões partidárias previstas para esta semana. Michelle, por sua vez, não retirou o vídeo do ar e não sinalizou qualquer recuo em suas colocações.
Analistas indicam que o episódio revela a disputa por protagonismo na definição de estratégias eleitorais de 2026. Enquanto o senador busca consolidar sua imagem como potencial candidato majoritário, a ex-primeira-dama tenta manter espaço na linha de frente para projetos voltados ao eleitorado feminino e religioso. Como o partido ainda não anunciou oficialmente o seu candidato, a forma como o impasse será resolvido poderá influenciar futuras alianças estaduais e federais.
A repercussão deve continuar nos próximos dias, quando dirigentes agendaram encontros para discutir a pauta eleitoral e o calendário partidário. A expectativa é de que o tema volte a ser debatido em Brasília na próxima reunião da executiva, marcada para o início de julho.
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