O presidente argentino Javier Milei recebeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na manhã desta segunda-feira, 29/06, na Quinta de Olivos, residência oficial da chefia do Executivo. O encontro integrou a série de compromissos que o pré-candidato ao Palácio do Planalto cumpre em Buenos Aires desde o fim de semana.
Durante a conversa, Milei voltou a associar o avanço eleitoral de legendas de direita na América do Sul a uma “onda azul” que, segundo ele, estaria prestes a atravessar a fronteira.
“Tenho certeza de que a onda azul chegará ao Brasil ainda este ano”, afirmou o mandatário argentino, referindo-se à cor tradicionalmente usada por partidos de direita na região.
Flávio Bolsonaro respondeu no mesmo tom, classificando as recentes vitórias conservadoras no continente como um freio às gestões de esquerda.
“A eleição de outubro será a última peça que falta no mapa da direita na América do Sul”, declarou o senador.
O parlamentar permanece na capital argentina até terça-feira (30/06) e programou um novo encontro com Milei ainda na noite de hoje.
No domingo, 28/06, Flávio discursou na abertura da Latin America Chairmen’s Conference, evento organizado pela comunidade judaica global. Da tribuna, ele saudou as mudanças políticas na região e citou Peru e Colômbia como exemplos de países que, segundo sua avaliação, optaram por “liberdade e ordem”.
“Nós, brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Somos a peça que falta, e em outubro isso muda”, disse ele à plateia.
Ao longo da agenda, o senador reforçou críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os alvos estiveram as políticas econômicas, os juros do cartão de crédito e a condução da diplomacia brasileira em relação ao Oriente Médio.
“Enquanto o presidente Milei punha ordem na casa, Lula desordenava a nossa”, acusou.
Flávio também voltou a qualificar o chefe do Executivo brasileiro como antissemita em razão do posicionamento de Brasília sobre o conflito na Faixa de Gaza.
“No meu primeiro dia como presidente, vou retirar as credenciais do embaixador do Brasil em Teerã e transferir nossa embaixada em Israel para Jerusalém”, prometeu.
A viagem de Flávio à Argentina marca mais um capítulo da articulação de líderes da direita sul-americana que pretendem consolidar um bloco ideológico até o fim de 2026. Para Milei, o eventual êxito eleitoral de aliados brasileiros fortalecerá pautas econômicas liberais e parcerias estratégicas em segurança e comércio.
Apesar do tom de campanha adotado nos discursos, a corrida presidencial brasileira só terá início oficial em agosto, quando partidos realizarão convenções. Até lá, atos e viagens internacionais devem continuar a servir de vitrine para pré-candidatos em busca de visibilidade.
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