No Rio, uma base da Força Nacional do SUS foi montada na sede da ANS, na Glória, para reforçar atendimento durante o El Niño. A unidade terá satélite, drones, veículos e um posto médico avançado.
Para reforçar a atenção em saúde diante de desastres climáticos, o Ministério da Saúde instalou nesta quarta-feira (9) uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) na cidade do Rio de Janeiro. A unidade terá capacidade para cobrir estados e municípios da Região Sudeste e ficará sediada na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na Glória, zona sul.
A nova base vai dispor de equipamentos de comunicação via satélite, drones, veículos e suporte para deslocamento de equipes, além de um posto médico avançado. Em situações de emergência, a capacidade de atendimento poderá ser ampliada com a adesão de equipes e voluntários em articulação com estados e municípios.
“Agora, com a base do Rio de Janeiro, conseguimos chegar em até 12 horas em qualquer localidade da Região Sudeste”
— Alexandre Padilha, ministro da Saúde.
A unidade no Rio é a terceira do tipo no país; duas já funcionam em Porto Alegre (RS) e Salvador (BA). A intenção do ministério é inaugurar mais seis pontos em diferentes regiões até o fim do ano, ampliando a capilaridade da resposta em saúde pública.
As unidades da FN-SUS atuam integradas aos Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), que coletam e reúnem dados sobre meio ambiente, clima e demografia. O objetivo é antecipar riscos, planejar vigilância em saúde, prevenir doenças e organizar respostas frente aos impactos de eventos extremos.
O anúncio ocorre com a aproximação do El Niño, fenômeno climático que, segundo projeções para 2026, deve provocar temporais, chuvas intensas e ondas de calor no Sudeste. Em outras regiões do país, a expectativa aponta para seca, incêndios e inundações, cenários que podem sobrecarregar a resposta de saúde local.
Estudos e notas técnicas têm chamado atenção para a magnitude dos efeitos. Uma pesquisa divulgada em junho pela Fiocruz indicou que, em 20 anos, o Brasil contabilizou 120 mil mortes relacionadas à inação diante de ondas de calor. As principais vítimas identificadas são idosos, mulheres e crianças.
“Enchentes, secas e queimadas produzem tanto efeitos imediatos quanto prolongados, desorganizam serviços, deslocam populações, ampliam exposição a agentes infecciosos e ambientais, interrompem tratamentos e agravam o sofrimento mental”
— nota técnica da Fiocruz.
A recomendação das pesquisas inclui ativação de sistemas de monitoramento e alertas pelo SUS, além de ações preventivas coordenadas entre saúde, Defesa Civil, serviços de saneamento e assistência social. Estudos internacionais sobre vulnerabilidade a ondas de calor, como pesquisa da Universidade Oxford, apontaram que 11 de 15 municípios brasileiros com mais de 1 milhão de habitantes são vulneráveis; Goiânia e Manaus lideram o ranking e o Rio de Janeiro também consta entre as cidades apontadas.
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