O Ministério da Saúde anunciou em 30 de junho de 2026 uma série de medidas para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os efeitos do El Niño e os impactos das mudanças climáticas na saúde pública.
O plano inclui investimentos de R$ 9,8 bilhões, que visam aumentar a capacidade de resposta e preparação do SUS para eventos climáticos extremos. Com 27 metas e 93 ações planejadas até 2035, a iniciativa busca abordar a questão de forma abrangente.
Entre as ações estão a antecipação de riscos climáticos, a emissão de alertas, a preparação de serviços de saúde resilientes e a proteção da população, principalmente nas regiões mais vulneráveis. O plano também visa fortalecer a capacidade do SUS para responder e reconstruir áreas afetadas.
“A crise na saúde pública decorrente das mudanças climáticas é, talvez, uma das faces mais dolorosas e mais evidentes para a população dos impactos das mudanças climáticas”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa.
O programa é estruturado em cinco frentes principais: coordenação, fortalecimento da capacidade de saúde, comunicação, vigilância e alertas, além do reforço de insumos como medicamentos e vacinas. Cada uma dessas frentes tem o objetivo de garantir uma resposta mais ágil e eficaz às emergências relacionadas ao clima.
Um dos destaques do plano é a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima em diferentes regiões do Brasil. O primeiro centro será inaugurado na Bahia no dia 1º de julho, marcando um passo importante na implementação das ações propostas.
Outra medida relevante é a criação do Painel Nacional de Excesso de Calor, que visa apoiar ações de vigilância e resposta aos riscos associados ao calor extremo. O sistema de alerta precoce permitirá identificar riscos com até cinco dias de antecedência.
A expansão da Força Nacional do SUS para oito bases em todo o país também faz parte do plano, garantindo uma resposta mais rápida a emergências e desastres. As equipes deverão ser capazes de atender qualquer tipo de emergência em até 12 horas e iniciar ações compatíveis em até 72 horas.
O ministério ainda desenvolve um protocolo específico para proteger os idosos durante ondas de calor, com orientações sobre hidratação, proteção contra o sol e cuidados com medicamentos.
Padilha ressaltou que a mitigação das mudanças climáticas é fundamental, mas a adaptação dos sistemas de saúde é uma necessidade urgente. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que 120 mil mortes nos últimos 20 anos estão diretamente relacionadas ao aumento da temperatura média no Brasil.
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