O Ministério da Saúde anunciou, em 30/06, um pacote de ações que pretende preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para lidar com fenômenos climáticos extremos, como o El Niño, e com as consequências mais amplas das mudanças do clima sobre a saúde da população.
Com orçamento previsto de R$ 9,8 bilhões, o plano estabelece 27 metas e 93 ações distribuídas até 2035. A pasta defende que a iniciativa tornará o SUS mais resiliente, sobretudo em comunidades vulneráveis, onde a combinação de calor excessivo, enchentes ou seca tende a elevar casos de doenças respiratórias, cardiovasculares e infecções.
O programa está organizado em cinco eixos operacionais:
• coordenação – criação de salas de situação integradas a estados, municípios e Defesa Civil;
• fortalecimento da capacidade de saúde – mobilização de equipes e suporte a áreas isoladas;
• comunicação – envio de orientações padronizadas a gestores, profissionais e cidadãos;
• vigilância e alertas – monitoramento contínuo de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos;
• reforço de insumos – reserva estratégica de medicamentos, vacinas, água potável e kits de emergência.
Entre as entregas estruturantes está a instalação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, um em cada região do país e três adicionais em locais considerados estratégicos. O primeiro centro, segundo o ministério, será inaugurado em 01/07, na Bahia.
Outra frente é o Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que emitirá alertas de até cinco dias, permitindo ações preventivas antes de ondas de calor. A Força Nacional do SUS, por sua vez, será expandida para oito bases regionais, com a missão de chegar a qualquer emergência em até 12 horas e iniciar operações compatíveis em até 72 horas.
Protocolos específicos também integram a estratégia. Para o público idoso, a pasta recomenda ofertar água mesmo sem sede, evitar exposição ao sol nos horários críticos, manter ambientes ventilados, verificar a correta ingestão de medicamentos contínuos e utilizar soro fisiológico em olhos ou narinas ressecados.
“A crise na saúde pública decorrente das mudanças climáticas é, talvez, uma das faces mais dolorosas e mais evidentes para a população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“A mitigação das emissões de carbono é importante e necessária, mas a adaptação dos sistemas de saúde é algo urgente”, completou.
Dados citados pelo ministro indicam que, nos últimos 20 anos, aproximadamente 120 mil mortes foram relacionadas ao aumento da temperatura média no país, conforme levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O governo avalia que, sem medidas preventivas, esse número pode crescer diante da frequência cada vez maior de eventos extremos.
O cronograma prevê avaliações anuais para atualizar metas, incorporar novas tecnologias de monitoramento e ajustar a distribuição de recursos. Conforme a pasta, os primeiros relatórios de andamento deverão ser publicados até o fim de 2027, quando será possível medir indicadores como tempo de resposta a emergências, redução de mortalidade associada ao calor e expansão de profissionais capacitados.
Ainda segundo o ministério, estados e municípios que comprovarem ações alinhadas ao plano poderão acessar verbas adicionais, inclusive para construção ou reforma de unidades de saúde projetadas para resistir a enchentes e altas temperaturas.
Com isso, a pasta espera transformar o SUS em referência de adaptação climática na América do Sul, mantendo pronto-atendimento qualificado e reduzindo impactos de desastres sobre a população brasileira.
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