O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, voltou a responsabilizar integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro pela pressão tarifária que os Estados Unidos vêm exercendo sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 24, durante entrevista televisiva, na qual o titular do MDIC relacionou encontros de políticos brasileiros com autoridades norte-americanas ao avanço de medidas comerciais consideradas desfavoráveis ao País.
“Eu lamento dizer isso, mas, a cada visita de um Bolsonaro à Casa Branca, quem paga a conta é o povo brasileiro, e tem sido assim desde o início”, afirmou o ministro.
Rosa relembrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, chegou a comemorar nas redes sociais, em julho do ano passado, a abertura de uma investigação contra o Brasil pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O processo, conduzido com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, analisa supostas práticas desleais do governo brasileiro.
O inquérito culminou, em junho deste ano, na recomendação de novas tarifas sobre itens brasileiros. Segundo o ministro, o Palácio do Planalto negocia para impedir que as sobretaxas entrem em vigor. Ele acusou aliados do ex-chefe do Executivo de enxergarem, na pressão estrangeira, uma chance de ganhar espaço político interno.
“Me parece que foi uma encomenda que eles tinham feito para o governo norte-americano, imaginando que, quanto maior o dano à economia brasileira, melhor é o capital político deles”, comentou.
Para tentar reverter o cenário, Rosa revelou ter participado de oito reuniões com o representante comercial adjunto dos EUA, Jamieson Greer. O encontro mais recente ocorreu no sábado, 20, quando ficou acordado um prazo de duas semanas para uma nova rodada de conversas. O foco, explicou o ministro, é encontrar um ponto de equilíbrio que amplie a presença de bens e serviços norte-americanos no mercado brasileiro sem sacrificar setores produtivos nacionais.
Entre as alegações do USTR, está o entendimento de que acordos preferenciais firmados pelo Brasil com Índia e México prejudicariam exportadores dos Estados Unidos. O MDIC, contudo, sustenta que as linhas tarifárias negociadas com esses países pouco interferem no fluxo comercial norte-americano. “Estamos apresentando dados técnicos que mostram não haver sobreposição relevante com produtos dos EUA”, pontuou Rosa.
O ministro classificou as tratativas como “difíceis, porém essenciais” e reforçou que o governo federal concentrará esforços diplomáticos até o limite do prazo anunciado. Ele ressaltou que qualquer elevação de tarifas poderia encarecer cadeias produtivas, reduzir competitividade e afetar diretamente o consumidor brasileiro.
Rosa ainda reiterou que a equipe econômica pretende manter diálogo constante com o Congresso Nacional e com representantes do setor privado. A meta, segundo ele, é construir propostas de modernização regulatória que atendam às demandas por maior previsibilidade jurídica, ao mesmo tempo em que protejam empregos e estimulem investimentos.
Sob pressão externa e em meio a críticas internas, o MDIC procura, portanto, costurar uma solução diplomática que evite prejuízos bilionários ao País. Enquanto isso, o debate sobre os impactos políticos das visitas de membros da família Bolsonaro aos Estados Unidos segue acalorado no cenário nacional.
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