O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, irá a Caracas nesta terça-feira (30) para se reunir com integrantes do governo venezuelano e alinhar novas etapas da cooperação humanitária que o Brasil oferece ao país vizinho. Entre os encontros previstos está a audiência com o ministro da Defesa da Venezuela, Gustavo González López, responsável pela coordenação das ações emergenciais em território venezuelano após a série de terremotos que causou destruição significativa na última semana.
De acordo com o Ministério da Defesa, a visita tem o objetivo de “reforçar a assistência à Venezuela, especialmente no cuidado às famílias desabrigadas e na reconstrução das áreas devastadas pelos tremores”. A pasta lembra que equipes brasileiras de resgate, engenheiros e especialistas em defesa civil já atuam em solo venezuelano desde os primeiros dias da crise.
Os terremotos, registrados no norte do país, deixaram quase 1.500 mortos e provocaram danos em infraestrutura básica, incluindo hospitais, escolas e sistemas de energia. Organismos internacionais estimam que cerca de 680 mil crianças necessitam de ajuda humanitária imediata, condição que levou governos e entidades a ampliar o envio de suprimentos e profissionais de saúde.
No mesmo dia da viagem de José Múcio, um quinto voo humanitário decolará da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, transportando aproximadamente 5,5 toneladas de medicamentos, testes rápidos e equipamentos solicitados pelo Ministério da Saúde venezuelano. O lote inclui antissépticos, analgésicos, antibióticos e insumos para ampliar a capacidade do Hospital de Campanha instalado em La Guaira.
“O Brasil deverá apoiar a Venezuela em seus esforços para cuidar dos desabrigados no país e para reconstruir as áreas afetadas pelo terremoto”, informou o Ministério da Defesa em nota oficial.
A aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) levará ainda barracas, geradores de energia e módulos para a expansão do hospital de campanha – estrutura que, segundo técnicos, passará de 60 para 120 leitos de emergência. O ministério assegura que as doações de medicamentos não impactam o estoque estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que foram separadas de reservas destinadas a cooperações internacionais.
Esta será a quarta missão de alto nível enviada pelo governo brasileiro à Venezuela desde o início da crise sísmica. Diplomatas destacam que a presença de José Múcio tem valor simbólico e prático, pois reforça a coordenação entre as forças armadas dos dois países em operações de busca, salvamento e reconstrução.
Enquanto a ajuda avança, engenheiros militares iniciam avaliações estruturais em pontes e estradas afetadas, com previsão de apresentar um relatório preliminar ainda esta semana. A expectativa é que esses dados orientem futuras frentes de trabalho e a distribuição de máquinas pesadas, contribuindo para reabrir rotas logísticas vitais.
No plano diplomático, Brasília mantém diálogo constante com autoridades venezuelanas e agências multilaterais para garantir que a assistência chegue às zonas mais frágeis. A delegação chefiada por José Múcio também deverá visitar centros de acolhimento de vítimas e postos de saúde temporários, ouvindo demandas locais que possam ser atendidas em próximas remessas.
Com a nova remessa e a ida do ministro, o governo brasileiro reafirma o compromisso histórico de cooperação regional em situações de calamidade, privilegiando a solidariedade e a integração fronteiriça frente a desafios humanitários.
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