Audiência no MPT-SE discutiu desafios da comunidade LGBTQIAPN+ no mercado de trabalho. Representantes de ONGs e empresas buscaram soluções contra o preconceito. 'Nossa pauta é por humanidade', destacou voluntário da CasAmor.
A busca por inclusão e igualdade de oportunidades no mercado de trabalho foi o tema central de uma audiência realizada nesta segunda-feira (22) no Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE). O encontro contou com a participação de representantes de associações e ONGs voltadas aos direitos da população LGBTQIAPN+, além de órgãos e empresas, todos reunidos para discutir os desafios enfrentados por essa comunidade.
Otávio Neri, voluntário da CasAmor, abriu o evento ressaltando a importância da pauta. “A nossa pauta é por humanidade”, afirmou, destacando os obstáculos que a população LGBTQIAPN+ ainda enfrenta, especialmente no que diz respeito à dignidade no trabalho. Para Neri, é fundamental garantir o direito a um trabalho digno e a possibilidade de aposentadoria, evitando que pessoas fiquem à margem da sociedade, em situações de trabalho informal.
A procuradora do Trabalho Clarisse Farias Malta, coordenadora da Coordigualdade, esclareceu que a audiência é parte do projeto estratégico nacional “Empregabilidade LGBTQIAPN+ – Conexão pela Diversidade”. Ela enfatizou que o combate à discriminação é uma prioridade do MPT, mas que o novo projeto busca uma abordagem mais abrangente, levando em consideração a realidade do estado.
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Emocionada, Daniela Gasparelly, presidenta da Associação Diversidade em Ação (ADA LGBT) do Baixo São Francisco, compartilhou sua história de vida, ressaltando os impactos da discriminação, especialmente para pessoas transexuais. “Hoje eu tenho 51 anos. Concluí o Ensino Médio há três anos, pelas dificuldades. Ser negra e trans, no Brasil, é muito difícil e no Nordeste, o preconceito é ainda maior. Sem oportunidades, muitas mulheres trans acabam buscando alternativas como a prostituição e as drogas”, lamentou.
Daniel Lima, secretário-geral da associação Amosertrans, também participou do debate, destacando a importância da educação como uma ferramenta para promover respeito e inclusão. “Quando uma pessoa LGBT é excluída do mercado de trabalho, a sociedade toda perde. Não somente nós. A sociedade precisa entender a diversidade como algo que vai fazê-la crescer”, defendeu.
Por sua vez, Tathiane Araújo, presidenta da Associação de Travestis e Transexuais de Sergipe (Astra), mencionou as parcerias com entidades de formação, como Senac e Sebrae, que têm proporcionado cursos para a comunidade LGBTQIAPN+ em Sergipe. “Há 25 anos, a instituição se coloca à disposição da sociedade através de diversas ações. Queremos viver de verdade em uma sociedade que nos colocou à margem e precisamos de políticas públicas urgentes que atendam à nossa realidade”, concluiu.
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