Um júri popular condenou Jordélia Pereira Barbosa por planejar o envenenamento que matou duas crianças durante a Páscoa de 2025. A mãe das vítimas sobreviveu após dias internada em UTI.
A 3ª Vara Criminal de Imperatriz condenou, na madrugada desta terça-feira (23/06), Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos de reclusão em regime fechado. O júri popular concluiu que ela planejou e executou o envenenamento de um ovo de Páscoa que provocou a morte de Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13. A mãe das vítimas, Mírian Lira, sobreviveu após dias internada em UTI, motivo pelo qual a ré também respondeu por tentativa de homicídio qualificado.
O crime aconteceu em abril de 2025. Segundo o Ministério Público do Maranhão (MPMA), Jordélia viajou de Santa Inês a Imperatriz, hospedou-se em um hotel usando nome falso e contratou um mototaxista para entregar o chocolate contaminado com “chumbinho”, pesticida clandestino no país. As três vítimas ingeriram o doce e passaram mal pouco depois. Apesar do socorro, apenas a mãe resistiu.
Os jurados apontaram quatro qualificadoras nos homicídios: uso de veneno, motivo torpe, dissimulação e condição das vítimas menores de 14 anos. No caso de Mírian, ficou reconhecida a mesma dinâmica, mas o resultado fatal foi evitado pelo atendimento médico célere.
“Ficou comprovado que a denunciada agiu movida por ciúmes e vingança, com plena consciência das consequências letais”, destacou o promotor responsável.
Além da pena de prisão, a sentença estabeleceu pagamento de indenização mínima de 100 salários mínimos a Mírian Lira e 400 salários mínimos aos pais das crianças. O juiz determinou o cumprimento imediato da decisão e manteve a prisão preventiva da condenada, impedindo a apresentação de recurso em liberdade.
Durante a investigação, policiais encontraram perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e um bilhete de ônibus com a acusada. Em depoimento, ela admitiu ter comprado e enviado o doce, mas alegou inocência quanto ao veneno, versão rechaçada por provas técnicas. Laudos confirmaram a presença do pesticida no chocolate e nos exames toxicológicos das vítimas.
Testemunhas relataram que Jordélia mantinha relacionamento anterior com o companheiro de Mírian e demonstrava insatisfação com o fim do romance. Para o MPMA, essa motivação pessoal reforçou o caráter premeditado do ato.
“A dor que sentimos não será sanada, mas a Justiça trouxe um pouco de alívio”, declarou um familiar das crianças ao deixar o Fórum.
A defesa da ré não se manifestou durante a sessão. Com a sentença transitando para a fase de execução, Jordélia deverá cumprir a condenação inicialmente no Complexo Penitenciário de Davinópolis, na região tocantina.
O caso provocou comoção no estado por envolver o simbolismo da Páscoa e o uso de objeto infantil como instrumento do crime. A Promotoria reiterou que a punição elevada visa “desencorajar atos de tamanha crueldade”.
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