Navios mercantes já navegam pelo Estreito de Ormuz dentro do plano de retirada articulado pela agência de navegação da Organização das Nações Unidas (ONU). A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 24/06, por um porta-voz da Organização Marítima Internacional (OMI). A iniciativa, elaborada ao longo dos últimos meses, viabiliza a passagem segura de embarcações que estavam retidas no Golfo Pérsico devido a tensões regionais e restrições operacionais.
“Os navios já começaram a passar”, afirmou o representante da OMI, sem detalhar nomes ou bandeiras das embarcações liberadas.
Dados de rastreamento da London Stock Exchange Group (LSEG) indicam que pelo menos dois navios graneleiros e um cargueiro completaram a travessia nas últimas 12 horas. Outras 35 embarcações comerciais — entre graneleiros, cargueiros gerais e porta-contêineres — ajustam rotas e velocidade para realizar o mesmo trajeto, de acordo com monitoramento da LSEG e da plataforma MarineTraffic.
O plano da ONU busca garantir a passagem escalonada de centenas de navios; estima-se que cerca de 11 mil marítimos aguardem liberação para deixar o Golfo. Técnicos da OMI explicam que a operação envolve corredores marítimos definidos, horários de janela e comunicação permanente com centros de controle costeiros do Irã e de Omã.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas estratégicas mais movimentadas do planeta, ligando o Golfo Pérsico ao Mar de Omã e respondendo por um quinto do comércio mundial de petróleo. Qualquer interrupção ali costuma repercutir diretamente em frete, preços de energia e prêmios de seguro.
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Nos últimos dias, autoridades iranianas declararam intenção de isentar taxas de passagem durante as negociações sobre a gestão conjunta do estreito com Omã e países do Golfo. O anúncio foi visto por analistas como sinal de distensionamento, mas especialistas alertam que a segurança da navegação ainda depende de coordenação política e militar contínua.
Para os comandantes que aguardam sinal verde, o cronograma divulgado pela OMI representa alívio logístico e financeiro: estimativas conservadoras apontam custos diários superiores a US$ 30 mil para navios ancorados sem operar carga. A agência, contudo, reforça que a liberação ocorrerá por lotes, evitando congestionamento em uma via onde a largura navegável chega a apenas 3 km em alguns trechos.
No cenário atual, seguradoras marítimas monitoram de perto o fluxo. Relatórios de corretoras europeias sugerem que a conclusão bem-sucedida da primeira leva de travessias pode reduzir gradualmente o ágio do seguro de risco de guerra, que hoje incide sobre embarcações com destino aos portos do Golfo.
A OMI promete atualizar coletivamente armadores, operadores e governos à medida que novos comboios forem aprovados. Até lá, radares e satélites seguem rastreando cada milha náutica percorrida pelas embarcações que voltam a enxergar o caminho aberto pelo Estreito de Ormuz.
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