O segundo dia de conversas em Montreux reúne diplomatas dos dois países em busca de um acordo para reduzir tensões no Oriente Médio. Apesar de declarações duras de Trump, mediadores classificaram o início como encorajador.
Negociadores dos Estados Unidos e do Irã retomam HOJE, 22 de junho, o diálogo em Montreux, na Suíça, para o segundo dia de conversas que buscam construir um caminho sustentável para o fim da guerra entre os dois países e reduzir tensões em pontos estratégicos do Oriente Médio.
O encontro segue cercado de expectativas depois de um primeiro dia marcado por declarações duras do presidente norte-americano, Donald Trump, publicadas na rede Truth Social, e por momentos de paralisação temporária da mesa. Mesmo assim, diplomatas do Catar e do Paquistão classificaram o resultado inicial como “encorajador”.
De acordo com os mediadores, Washington e Teerã já concordaram em esboçar um mecanismo de contenção de confrontos no Líbano, onde Israel e o grupo Hezbollah, aliado do Irã, travam combates frequentes. Também foi anunciada a criação de uma “linha de comunicação permanente” para garantir a passagem segura de navios no Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo.
Pelo lado norte-americano, o time de alta representatividade conta com o vice-presidente J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o assessor sênior Jared Kushner. Já a delegação iraniana é liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
“Há grande progresso para acabar com a Guerra do Líbano; o primeiro teste real será se o mecanismo conseguirá parar os combates entre Israel e Hezbollah”, escreveu Araghchi na rede X.
A declaração conjunta divulgada por Catar e Paquistão informa que as conversas políticas de alto nível foram concluídas HOJE e que as negociações técnicas permanecerão em andamento na Suíça ao longo da semana, detalhando protocolos operacionais para a nova linha de comunicação e os parâmetros de fiscalização no Líbano.
Um diplomata norte-americano ouvido sob condição de anonimato confirmou que “houve progresso tangível na discussão sobre segurança marítima”, mas ponderou que o entendimento definitivo depende de “ajustes finos” a serem tratados nos próximos encontros.
Enquanto isso, analistas observam que a tensão retórica permanece elevada. As ameaças públicas de Trump, segundo especialistas, podem calibrar o tom das tratativas, mas não anular o interesse mútuo em um acordo que atenue riscos militares e promova estabilidade econômica. Interlocutores iranianos reforçam que a redução de sanções continua no centro da pauta, embora o assunto ainda não tenha avançado para a fase decisiva.
Com agendas paralelas, as delegações também deverão avaliar um eventual cronograma para inspeções internacionais em instalações nucleares iranianas e discutir parâmetros para a retomada plena do acordo nuclear de 2015. Além disso, está sobre a mesa a possibilidade de cooperação futura em questões humanitárias, como o envio de ajuda a civis libaneses afetados pela escalada de violência.
Nos bastidores, representantes de potências europeias acompanham o processo à distância, prontos para oferecer garantias técnicas. A Casa Branca, até o momento, não divulgou posicionamento oficial sobre os avanços relatados pelos mediadores.
A programação prevê que as equipes voltem a se reunir nas próximas 24 horas, mantendo aberta a chance de fechar, ainda esta semana, um pacote inicial de medidas de confiança capaz de reduzir focos de confronto e criar um ambiente propício para discussões mais abrangentes.
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