O pedido de prisão preventiva do diretor-geral da Polícia Federal afastado, Andrei Rodrigues, foi protocolado pelo Partido Novo na semana passada e ganhou repercussão após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar, nesta terça-feira (8), o afastamento temporário do delegado. A legenda alega que a medida é necessária para evitar interferências nas investigações que miram o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro.
Mendonça também retirou do cargo o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. A Segunda Turma do STF formou maioria para confirmar a decisão, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do decano Gilmar Mendes, que solicitou mais tempo para analisar o caso.
Na petição, o Novo sustenta que mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro indicariam uma tentativa de obter proteção dentro da Polícia Federal. Investigadores da Operação Compliance Zero — que apura fraudes financeiras bilionárias e suposta corrupção de agentes públicos — afirmam que os nomes citados nas conversas seriam Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“Mais elementos têm convergido com a ideia de que Daniel Vorcaro possuía uma proximidade não apenas com autoridades ocupantes de cargos dessa Suprema Corte, como também com o ocupante do mais alto cargo de direção da Polícia Federal, instituição que conduzia uma das investigações contra ele e o banco do qual era controlador, Banco Master”, afirma a petição.
No mesmo documento, a sigla sustenta que Andrei buscaria impedir a celebração de um acordo de delação premiada por Vorcaro. A acusação foi detalhada pelo próprio ex-banqueiro em audiência com Mendonça, realizada em 27 de agosto, na presença de um representante do Ministério Público.
Durante o depoimento, Vorcaro relatou ter sido intimidado por agentes da PF. Segundo ele, servidores teriam mencionado a possibilidade de jogá-lo de aeronaves da corporação enquanto era transportado sob custódia. Em regime de prisão preventiva, o ex-banqueiro sustenta que passou a sofrer pressões sempre que se aproximava de um possível acordo de colaboração.
“Esses elementos exigem a criação de condições fático-institucionais necessárias para que os fatos possam ser investigados sem interferências, constrangimentos hierárquicos ou riscos relacionados ao acesso privilegiado a informações, pessoas, sistemas e decisões administrativas da própria Polícia Federal”, argumentaram as advogadas do Novo.
Ao analisar o material, Mendonça considerou o afastamento do cargo a medida mais adequada neste momento. O ministro classificou as circunstâncias como “gravíssimas” e revelou suspeitar que foi monitorado ilegalmente pela PF durante o mês de agosto.
Com o julgamento suspenso na Segunda Turma, o afastamento de Andrei e Almada continua valendo até que o colegiado retome a análise ou até que nova determinação seja proferida. Enquanto isso, o Partido Novo insiste para que o STF examine o pedido de prisão preventiva do delegado, argumentando que a simples saída do cargo não elimina a possibilidade de interferência nas apurações.
Procurada, a Polícia Federal não havia se manifestado até o fechamento desta edição sobre as alegações de intimidação relatadas por Vorcaro e sobre a suspeita de monitoramento indevido do ministro do STF.
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