O clima entre Teerã e Washington voltou a se deteriorar rapidamente após a série de bombardeios iniciada no fim de junho. Neste sábado (18), o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou que os Estados Unidos receberiam uma “lição inesquecível” se prosseguissem com a ofensiva que, segundo ele, viola o acordo de 17 de junho destinado a silenciar as armas no Golfo Pérsico.
“Agora que o inimigo americano busca incitar à guerra, deve saber que a querida nação iraniana e a frente da resistência têm lições inesquecíveis a lhe oferecer”, afirmou Khamenei em mensagem divulgada pela TV estatal.
O aiatolá ressaltou que a “violação repetida” do protocolo firmado há apenas um mês demonstra que “a assinatura do presidente americano não vale nada”. O pacto previa a reabertura total do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circulava cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo em períodos de paz. Em contrapartida, o texto permitia que o Irã administrasse o tráfego marítimo e, futuramente, cobrasse taxas pela navegação.
Washington contesta essa leitura e defende a livre circulação, sem pedágios. A tensão escalou quando um navio cargueiro foi atingido após Teerã advertir embarcações que optassem por uma rota alternativa fora de seu controle. No dia seguinte, forças americanas bombardearam instalações de mísseis, drones e radares no litoral iraniano. Teerã retaliou contra um petroleiro que utilizava o novo trajeto, e os EUA responderam novamente, desencadeando ataques que envolveram até Kuwait e Bahrein, países que abrigam tropas dos EUA.
No esforço de evitar um conflito aberto, delegações dos dois lados estiveram no Catar, mas não se reuniram face a face. Enquanto isso, o Irã manteve o aviso contra a rota alternativa, especialmente durante o funeral do ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, falecido nos bombardeios de 28 de fevereiro. Multidões clamaram por vingança contra o presidente Donald Trump a partir de 4 de julho, data que marcou o início das cerimônias fúnebres.
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Desde então, os confrontos se multiplicaram. Três embarcações foram atacadas por forças iranianas no Estreito de Ormuz; em resposta, os EUA destruíram sistemas de defesa aérea, radares e mais de 60 barcos da Guarda Revolucionária. Washington também revogou a autorização provisória que permitia a Teerã vender petróleo em dólares, pilar econômico do acordo preliminar.
Na sexta-feira (17), os EUA ampliaram a ofensiva para o interior do território iraniano, atingindo pontes, estações de energia e uma torre de vigilância em um porto estratégico. O Ministério da Saúde iraniano informou que ao menos 46 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas desde a retomada das hostilidades.
Em declarações recentes, Trump oscilou entre ameaças duras e sinais de que não pretende prolongar a campanha militar.
“Se isso acontecer de novo, será muito pior! Qualquer coisa que aconteça vai acontecer muito rapidamente”, disse o presidente norte-americano ao deixar a cúpula da OTAN.
Teerã, por sua vez, classificou o bloqueio reativado aos seus portos e as novas sanções ao petróleo como “linha vermelha intransponível”. O comando militar iraniano sustenta ter o direito de controlar o estreito e adverte que expandirá represálias caso suas demandas não sejam atendidas, inclusive contra infraestrutura civil em países do Golfo.
Analistas avaliam que, com o Estreito de Ormuz novamente na mira, qualquer passo em falso poderá comprometer o fornecimento global de energia e arrastar a região para um confronto ainda mais amplo. Até o momento, esforços diplomáticos permanecem estagnados, enquanto as duas potências trocam ameaças e ataques que aprofundam a incerteza no Oriente Médio.
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