O Corinthians voltou a conviver com problemas fora das quatro linhas e recebeu uma nova punição que afeta diretamente o planejamento para a temporada. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aplicou um transfer ban de seis meses ao clube do Parque São Jorge após o atraso no pagamento da quinta parcela de um acordo firmado na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O valor da parcela, que venceu na sexta-feira, 17/07, é de aproximadamente R$ 8 milhões.
Esta é a terceira restrição de registro imposta ao Alvinegro em um intervalo de apenas dois meses. As duas anteriores vieram da Fifa. A primeira está ligada a uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, referente à contratação do venezuelano José Martínez em agosto de 2024. A segunda diz respeito ao não pagamento de uma multa disciplinar de US$ 225 mil (cerca de R$ 1,1 milhão) por atrasos nos compromissos financeiros envolvendo as aquisições de Charles, Talles Magno e do próprio Martínez.
O histórico de atrasos não é novidade. Nas duas primeiras parcelas do acordo com a CNRD, o Corinthians também deixou de quitar o valor na data correta e sofreu bloqueios semelhantes. Mesmo com recursos apresentados pela diretoria, a entidade manteve as restrições, evidenciando a recorrência dos descumprimentos contratuais.
A nova sanção chega em um momento delicado para o departamento de futebol. A diretoria vinha negociando o retorno, por empréstimo, do atacante Wesley, hoje vinculado ao Al-Nassr. Formado nas categorias de base do Timão, o jogador de 22 anos já havia sinalizado a disposição para reduzir salários, mas a impossibilidade de registrar atletas empurrou o acerto para um futuro incerto.
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Outro alvo que fica mais distante é o volante Arthur, de 29 anos. O executivo de futebol Marcelo Paz confirmou na semana passada que o clube mantinha conversas com o staff do atleta, que pertence à Juventus e atuou recentemente pelo Grêmio. Com passagens pela seleção brasileira e pelo Barcelona, o meio-campista era visto como reforço estratégico para qualificar o setor, porém sua chegada depende agora da reversão do bloqueio.
Sem margem para movimentos no mercado, a direção precisa priorizar a regularização das pendências financeiras. Além de quitar a dívida de R$ 8 milhões na CNRD, o Corinthians terá de reorganizar o fluxo de caixa para evitar novas sanções internacionais, recuperar credibilidade junto a fornecedores e restabelecer a capacidade de inscrever atletas. Caso o clube não consiga resolver a questão antes do término dos seis meses, o elenco permanecerá sem caras novas até o próximo período de transferências, comprometendo o desempenho em competições nacionais e continentais.
Com o elenco limitado e pressão da torcida por resultados imediatos, a comissão técnica precisará trabalhar com opções internas, enquanto a diretoria lida com um cenário cada vez mais complexo fora das quatro linhas.
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