A reta final da fase de grupos da Copa do Mundo mantém a Seleção Brasileira em posição confortável, mas ainda não assegurada. Único país cinco vezes campeão, o Brasil lidera o Grupo C graças ao saldo de gols, depois do empate por 1 a 1 na estreia contra Marrocos e da vitória expressiva por 3 a 0 sobre o Haiti. Mesmo assim, a equipe comandada por Dorival Júnior carimba o passaporte para o mata-mata apenas se confirmar, no mínimo, um empate diante da Escócia em seu último compromisso pela primeira fase.
Matematicamente, uma simples igualdade garante a classificação em primeiro ou segundo lugar. Caso vença os escoceses, qualquer placar positivo mantém o Brasil entre os líderes; quanto maior a diferença de gols, menor a chance de ser ultrapassado por Marrocos, que enfrenta o Haiti no outro duelo da chave. Se o Brasil triunfar por 1 a 0, por exemplo, só perde a ponta se os marroquinos golearem por quatro ou mais gols.
O cenário de empate brasileiro cria duas leituras: vitória de Marrocos sobre o Haiti empurra o Brasil para a vice-liderança, mas ainda com vaga assegurada; empate entre Marrocos e Haiti preserva a liderança canarinha, já que o saldo atual favorece a equipe sul-americana. Numa remota derrota verde-amarela, os cálculos se complicam. Perder para a Escócia e ver Marrocos pontuar significaria cair para terceiro, posição que exige uma nova conta: comparar-se aos outros 11 terceiros colocados para disputar uma das oito vagas extras oferecidas pelo formato inédito do Mundial.
“É necessária uma combinação rara de resultados para que os brasileiros não sigam para a próxima fase.”
Superada a matemática, o debate se volta para o provável adversário nos 16-avos de final. Se confirmar a liderança, o Brasil encara o segundo colocado do Grupo F. No momento, Holanda e Japão dividem o topo dessa chave, enquanto a Suécia corre por fora e a Tunísia já está eliminada. Uma eventual vice-colocação brasileira o coloca frente a frente com o líder do mesmo Grupo F. Holanda, Japão ou Suécia continuam na disputa direta por essa posição.
A hipótese de avanço em terceiro projeta embate contra um líder de outro grupo — A, E ou I — conforme o ranqueamento dos melhores terceiros. Hoje, México (A), Alemanha (E) e França/Noruega (I) aparecem como potenciais rivais. O modelo de chaveamento torna a combinação de resultados ainda mais estratégica, pois a pontuação geral e o saldo de gols passam a definir não apenas quem segue vivo, mas também o grau de dificuldade da próxima parada.
A última rodada do Grupo C promete, portanto, emoções numericamente calculáveis, mas esportivamente imprevisíveis. O Brasil depende apenas de si para continuar em busca do hexa, mas mantém o alerta ligado para evitar surpresas que o futebol mundial conhece tão bem.

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