Quarenta pessoas morreram afogadas na França nos últimos dias enquanto buscavam alívio para temperaturas sufocantes que chegam a 43 °C em algumas regiões, informou o primeiro-ministro Sébastien Lecornu nesta terça-feira (23). A tragédia ocorre em meio à onda de calor que atinge grande parte da Europa, quebrando recordes históricos de temperatura e pressionando serviços públicos, transportes e a atividade econômica.
De acordo com a Meteo France, 54 departamentos permanecem sob alerta vermelho — o nível mais alto do sistema de risco meteorológico — em um cenário que especialistas classificam como sem precedentes desde o início das medições, em 1947. O país registrou sua tarde e noite mais quentes em quase 80 anos, e a previsão indica que o calor se manterá intenso ao longo da semana. Termômetros podem atingir 43 °C em setores do oeste francês.
Nas grandes cidades, como Paris, moradores enfrentam noites mal dormidas em prédios sem ar-condicionado adequado. A rede ferroviária também sofre: trens foram cancelados, inclusive a ligação de alta velocidade entre Paris e Bruxelas. Passageiros relatam vagões abafados e atrasos prolongados.
“Um triste flagelo no que diz respeito a afogamentos, já que os números mais recentes que acabamos de receber mostram 40 mortes desde 18 de junho, a maioria delas de jovens”, lamentou Lecornu ao abrir uma reunião de emergência sobre a crise climática.
Autoridades de saúde reforçam orientações para que a população evite banhos em canais e rios não supervisionados. A ministra do Esporte, Marina Ferrari, frisou que as pessoas compreendem a necessidade de se refrescar, mas alertou para os riscos de áreas sem salva-vidas ou sinalização adequada.
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A onda de calor afeta outros países europeus. O Reino Unido prevê até 37 °C no sul da Inglaterra nesta terça, com possibilidade de marcas ainda mais altas nos próximos dois dias. Na Itália, o Ministério da Saúde elevou para o nível máximo o alerta em 15 cidades e restringiu determinadas atividades externas; tempestades são esperadas sobre os Alpes e os Apeninos. Já na Espanha, Suíça e Bélgica, escolas adaptam horários ou suspendem aulas, enquanto empresas reorganizam turnos para reduzir a exposição dos trabalhadores.
“A França está funcionando em ritmo lento. As empresas, na medida do possível, estão implementando recomendações para proteger seus funcionários”, explicou Patrick Martin, presidente da principal confederação patronal do país.
Meteorologistas atribuem o fenômeno a um padrão atmosférico conhecido como “bloqueio ômega”, que forma um domo de ar quente rodeado por massas de ar mais frias, impedindo a circulação e elevando as temperaturas dia após dia. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a Europa se aquece a mais do que o dobro da média global, o que torna episódios prolongados de calor cada vez mais prováveis.
Especialistas comparam o cenário atual à onda de calor de agosto de 2003, responsável por aproximadamente 80 mil mortes adicionais em todo o continente. Ainda não há consenso sobre a duração do episódio de 2026, mas autoridades reforçam a importância de hidratação constante, atenção a crianças e idosos e respeito às restrições de acesso a cursos d’água.
Enquanto isso, equipes de resgate permanecem em alerta máximo; apenas na segunda-feira (22), socorristas não conseguiram reanimar duas crianças de 2 e 4 anos encontradas inconscientes dentro do carro da família na cidade de Carpentras, no sudeste do país. O Ministério do Interior promete intensificar a patrulha em pontos considerados críticos.
Com o verão europeu apenas no início, governos, serviços de saúde e cidadãos acompanham a escalada do termômetro e ajustam rotinas para enfrentar uma temporada que já se anuncia como uma das mais quentes das últimas décadas.
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