Equipes de resgate nacionais e estrangeiras continuam a vasculhar os escombros deixados pelos dois fortes terremotos que atingiram o estado de La Guaira, na Venezuela, na última quarta-feira. As autoridades registram 1.450 mortes confirmadas até o domingo (28) e admitem que o número pode subir à medida que novas áreas são alcançadas.
Mais de 2.600 socorristas vindos de diferentes países desembarcam na região costeira, cerca de 40 quilômetros ao norte de Caracas, para reforçar a força-tarefa local, que trabalha sob risco de réplicas constantes. De acordo com o governo, 774 edifícios desabaram, 3.150 pessoas permanecem feridas e outras 12.721 estão desalojadas.
“Os esforços de resgate e recuperação continuam. Neste domingo (28) resgatamos pessoas com vida e, portanto, as operações não serão suspensas. Sempre mantemos a esperança”
A declaração é da presidente interina Delcy Rodríguez, que também anuncia a criação de uma comissão para avaliar a estabilidade dos prédios que ainda permanecem de pé. Segundo ela, o fornecimento de energia elétrica em La Guaira já está 75% restabelecido, mas as aulas na rede pública ficam suspensas por mais uma semana.
O governo — comandado por Delcy Rodríguez desde a deposição do ex-presidente em janeiro por forças dos Estados Unidos — agradece o empenho de voluntários civis, embora restrinja o tráfego na principal via de acesso ao estado para garantir passagem a ambulâncias e caminhões com mantimentos.
“Estamos em momentos críticos para continuar resgatando vidas e construir acampamentos onde possam ficar as pessoas que perderam suas casas”, afirma Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da chefe do Executivo.
Moradores relatam a falta de equipamentos pesados durante os primeiros dias de buscas. Mesmo assim, um pai e seu filho foram retirados com vida dos destroços de um prédio no domingo, alimentando a esperança de novas sobrevivências.
Enquanto o governo divulga “centenas de desaparecidos”, um site mantido pela oposição lista cerca de 50 mil pessoas não localizadas — número ligeiramente menor que os 55 mil nomes divulgados no sábado. As discrepâncias reforçam a dificuldade de obter dados precisos em meio à tragédia.
Autoridades locais pedem doações de água potável, alimentos não perecíveis e barracas para abrigar famílias que perderam suas casas. A orientação é que os donativos sejam entregues em pontos oficiais para facilitar a distribuição.
Meteorologistas monitoram o clima na região, já que chuvas intensas poderiam comprometer as operações e provocar novos deslizamentos. Até o momento, o tempo seco favorece a ação dos socorristas, que pretendem ampliar o raio de buscas para comunidades rurais isoladas.
Com os trabalhos entrando na segunda semana, a combinação de colaboração internacional, voluntariado local e infraestrutura emergencial define o ritmo da resposta a uma das piores tragédias naturais que a Venezuela enfrenta nas últimas décadas.
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