A Polícia Federal está nas ruas nesta quinta-feira (03/07) com a Operação Exchange, ofensiva que pretende desarticular um esquema de lavagem de dinheiro atribuído a um braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a corporação, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 10 bilhões em recursos oriundos do tráfico internacional de drogas.
Cinquenta agentes cumprem 13 mandados de busca e apreensão, além de 11 ordens de prisão temporária. As diligências ocorrem simultaneamente na capital paulista, em Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A Justiça Federal determinou também o sequestro de bens e valores no montante de R$ 10,4 bilhões, bloqueio que atinge contas bancárias, imóveis, veículos e criptoativos pertencentes aos investigados.
Segundo a PF, o esquema adotava múltiplas frentes para ocultar e dissimular a origem ilícita do dinheiro. Entre os mecanismos mapeados pela investigação estão transferências de criptoativos, transporte físico de cédulas, operações bancárias de alto valor e repasses sucessivos entre pessoas físicas e jurídicas, numa teia que dificultava o rastreamento dos valores.
Os alvos da operação já haviam sido sancionados, no início da semana, pelo governo dos Estados Unidos. As medidas do Departamento do Tesouro norte-americano miraram dois brasileiros e três empresas acusadas de prestar serviços de câmbio e movimentação financeira em favor da facção criminosa. A inclusão na lista de sanções estrangeiras aumentou a pressão sobre o grupo e forneceu subsídios para a ofensiva em território nacional.
A investigação aponta que a rede criminosa atuava como uma espécie de banco paralelo, oferecendo conversão de grandes somas em criptoativos e disponibilizando recursos em diferentes moedas e países num prazo curto, prática conhecida nos bastidores do crime organizado como “exchange artesanal”. Esse serviço, afirmam os investigadores, era essencial para manter a logística do tráfico e custear o envio de remessas de drogas para a Europa e América do Norte.
As prisões temporárias têm prazo inicial de cinco dias, renováveis por igual período. Durante esse intervalo, a PF pretende avançar na análise de celulares, computadores e documentos apreendidos a fim de identificar novos envolvidos e mapear contas ligadas ao esquema. A corporação não descarta a possibilidade de novos mandados na sequência da operação.
Em nota, o órgão ressaltou que os investigados poderão responder pelos crimes de integrar organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico internacional de entorpecentes. As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão, além de multa.
Esta é a sexta grande operação deflagrada pela Polícia Federal em 2026 com foco em finanças do crime organizado. Especialistas em segurança pública avaliam que a asfixia econômica se tornou uma estratégia central no combate às facções, no mesmo patamar de relevância das apreensões de drogas e armamentos.
Com a conclusão das buscas, os presos serão levados para a Superintendência da PF em São Paulo, onde prestarão depoimento. Em seguida, devem ser encaminhados ao sistema prisional estadual, à disposição da Justiça.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




