Os torcedores norte-americanos deixaram estádios e fan fests com sensação de frustração. Estados Unidos, Canadá e México, anfitriões da Copa do Mundo de 2026, pararam juntos nas oitavas de final e igualaram um feito negativo que só encontra parâmetro em África do Sul-2010 e Catar-2022. Desde 1930, apenas essas duas sedes haviam ficado pelo caminho tão cedo; agora, o trio da América do Norte integra a estatística.
Os norte-americanos alimentaram a esperança de quebrar o jejum histórico logo na estreia. Sob comando de Mauricio Pochettino, venceram o Paraguai por 4 a 1 e garantiram a liderança do grupo com o 2 a 0 sobre a Austrália. Com a vaga assegurada, Pochettino mandou reservas contra a Turquia e perdeu por 3 a 2, mas nada que abalasse o otimismo. O susto veio na fase de 16-avos, superada com 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina. Já nas oitavas, em Seattle, a Bélgica esfriou o sonho local ao aplicar 4 a 1, repetindo o roteiro de 1994, quando o Brasil impedira o avanço ianque no mesmo estágio.
O México, que sediou sua terceira Copa, buscava romper a barreira histórica do “quinto jogo” – meta alcançada, mas com sabor agridoce. A equipe avançou às quartas duas vezes como anfitriã (1970 e 1986) e, novamente em casa, chegou ao mata-mata com 100% de aproveitamento na fase de grupos. Depois, eliminou o Equador nos 16-avos. A festa parou no Estádio Azteca: a Inglaterra de Harry Kane e Jude Bellingham venceu por 2 a 1 mesmo com um jogador a menos durante mais de 30 minutos, silenciando a capital a 2.240 metros de altitude.
Entre os co-organizadores, o Canadá deixou o campo com a cabeça erguida. Até então, o país colecionava seis derrotas em Copas (1986 e 2022). Desta vez, empatou por 1 a 1 com a Bósnia e Herzegovina, goleou o Catar por 6 a 0 e perdeu por 2 a 1 para a Suíça, classificando-se em segundo lugar. Em território norte-americano, bateu a África do Sul por 1 a 0 nos 16-avos, mas caiu diante do Marrocos por 3 a 0 nas oitavas. O revés não apagou o primeiro triunfo canadense na história do Mundial.
Com o trio fora, a Copa de 2026 repete uma cena rara de anfitriões precoces. Outros que não chegaram às semifinais foram França-1938, Suíça-1954, Espanha-1982, Japão-2002 e Rússia-2018. A estatística mostra que, em 22 edições, apenas nove países-sede terminaram fora do G-4, mas jamais se viu três anfitriões caírem juntos num mesmo dia de oitavas.
Para os torcedores, restou o consolo de partidas cheias de gols e estádios cheios. Para as federações, a missão agora é aproveitar a herança da infraestrutura e transformar frustração em aprendizado.
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