O governo brasileiro deu, nesta quarta-feira (24/06), um passo considerado estratégico para aproximar o mercado de capitais nacional dos investidores asiáticos. Em Xangai, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou do lançamento da integração entre as bases de dados da B3 e o Wind Financial Terminal, principal ferramenta de informações financeiras usada por bancos, seguradoras, corretoras e gestores de recursos na China.
A iniciativa passou a oferecer, em tempo real, cotações de ações, índices, estatísticas de negociação, séries históricas e demais dados de referência do mercado brasileiro diretamente nas telas de milhares de profissionais chineses. A expectativa do Ministério da Fazenda é que a medida reduza barreiras de informação, estimule análises comparativas e resulte em maior alocação de recursos estrangeiros em ativos listados no país.
“Ao integrarmos os dados da B3 à principal plataforma financeira da China, estamos construindo uma ponte de transparência que reduz distâncias e dá aos investidores asiáticos as ferramentas necessárias para participarem ativamente do nosso crescimento”, afirmou Durigan no evento de apresentação.
Segundo a pasta, a parceria faz parte de uma missão oficial que segue até sexta-feira (26/06) e aborda temas como financiamento sustentável, transição ecológica e fortalecimento da cooperação econômica bilateral. Entre os pontos em discussão estão a emissão de títulos Panda Bonds, o avanço do Programa Eco Invest Brasil, o desenvolvimento da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP) e a consolidação de um mercado regulado de carbono.
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Durigan também participou, na tarde de hoje pelo horário chinês, do Fórum Brasil–China sobre Finanças Verdes, reunião que reuniu representantes de instituições financeiras e de organismos multilaterais para debater caminhos de fomento a projetos de baixo carbono. Em seguida, encontrou-se com a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, para tratar de linhas de crédito voltadas a infraestrutura sustentável.
Ao avaliar a integração com a Wind, técnicos da Fazenda destacaram que o maior acesso a informações deve diversificar as fontes de financiamento da economia brasileira e fortalecer as cadeias produtivas ligadas à transição energética. Eles acrescentaram que, ao ampliar a visibilidade dos ativos nacionais, o país busca se posicionar como destino atrativo e estável para capitais de longo prazo.
Além da agenda em Xangai, a comitiva seguirá para Pequim, onde realizará reuniões com autoridades locais e executivos do setor privado. O roteiro inclui encontros na quinta (25) e na sexta (26) sobre instrumentos de mercado capazes de financiar projetos de descarbonização e de modernização industrial. A Fazenda avalia que a aproximação com o mercado chinês pode resultar em novas parcerias tecnológicas, expansão das exportações de serviços ambientais e integração de cadeias globais de valor.
O lançamento da plataforma foi apontado por analistas como um movimento relevante para ampliar a liquidez de papéis brasileiros e reduzir o custo de capital de empresas listadas. A curto prazo, a integração deve facilitar a rotina de gestores de fundos que já acompanham o mercado nacional; no médio, pode atrair participantes que ainda não operam no Brasil.
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