A prisão do pastor e empresário Márcio Poncio, realizada pela Polícia Federal na última quinta-feira (02/07), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, recolocou o sobrenome Poncio no centro das atenções nacionais. O líder religioso, conhecido por comandar um império no ramo do tabaco, é suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria ligações com a chamada “Máfia do Cigarro”.
O mandado de prisão foi cumprido em um flat na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Além do patriarca, a operação determinou outras duas prisões preventivas e executou 14 buscas em endereços ligados aos investigados. Segundo a investigação, empresas mantidas pela família teriam sido usadas para escoar recursos obtidos de forma irregular.
Muito antes do episódio desta semana, os Poncio já figuravam em manchetes por motivos que variam de brigas judiciais a disputas familiares. O caso que mais repercutiu ocorreu entre 2017 e 2018, quando a então namorada de Saulo Poncio, Letícia Almeida, engravidou enquanto se relacionava com o músico. Depois do nascimento, um exame de DNA revelou que o pai biológico era Jonathan Couto, casado à época com Sarah Poncio, irmã de Saulo. A revelação abalou a família, cuja rotina de ostentação nas redes sociais atraía milhões de seguidores.
Saulo, que integrou a dupla UM44K, enfrentou ainda uma denúncia de estupro em 2023 feita pela influenciadora Laura Araújo. O Ministério Público arquivou o caso por falta de provas, assim como queixas de agressão protocoladas por outras mulheres. No âmbito pessoal, o cantor acumulou relatos de infidelidade durante o casamento com a influenciadora Gabi Brandt, com quem teve três filhos. Separados desde 2022, eles reataram em 2025, encerrando na Justiça discussões sobre pensão alimentícia.
Outra controvérsia envolveu Sarah Poncio em 2021. Ela precisou devolver o menino Josué — chamado de Oséias nos registros civis — à mãe biológica no Ceará. O retorno ocorreu porque o processo de adoção não foi formalizado, configurando a chamada “adoção à brasileira”.
As finanças do clã também são alvo de questionamentos. A família controla mais de 20 empresas, seis delas do setor de tabaco. Conforme registros públicos, os débitos tributários somados em nomes de Márcio, da esposa Simone e da deputada estadual Sarah ultrapassam R$ 4 bilhões, concentrados principalmente em IPI e Cofins. Esses valores, segundo a PF, compõem o contexto que fundamenta a suspeita de lavagem de capitais investigada na Operação Unha e Carne.
Politicamente, Márcio tentou se eleger deputado federal em 2022, ficando como segundo suplente. Em 2025, lançou-se candidato na eleição suplementar para a Prefeitura de Três Rios (RJ), mas novamente não obteve êxito. O desempenho nas urnas contrastou com a visibilidade digital da família, que soma milhões de seguidores em múltiplas plataformas.
A defesa de Márcio Poncio ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações da Polícia Federal. Enquanto o processo corre na Justiça, a detenção do pastor reacende os questionamentos sobre a origem da fortuna familiar e amplia o escrutínio sobre os negócios mantidos pelo grupo.
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