Divulgada nesta quinta-feira (2), a sondagem AtlasIntel/Bloomberg mapeou a percepção do eleitorado sobre quem estaria mais envolvido nas irregularidades financeiras que cercam o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. De acordo com o levantamento, 37,6% dos entrevistados citaram primeiro os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando o chamado Caso Master é mencionado. Logo em seguida, 36% associaram o tema a nomes próximos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O estudo ofereceu ainda a opção de apontar responsabilidade compartilhada. Nesse item, 17,1% afirmaram crer que tanto lulistas quanto bolsonaristas participam do esquema na mesma proporção. Já 6% responsabilizaram o grupo de parlamentares conhecido como ‘Centrão’, enquanto 3,1% preferiram não opinar.
Para chegar a esses resultados, o instituto entrevistou 4.999 pessoas entre 26 e 30 de junho por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%. A sondagem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026, em 25 de junho.
O Caso Master voltou a ganhar destaque em 18 de junho, quando a Polícia Federal desencadeou a nona fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos, esteve o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Os investigadores apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento envolvendo pessoas ligadas ao parlamentar e ao Banco Master.
Wagner entrou no radar dos agentes por sua relação com Augusto Lima, ex-sócio do Master e proprietário do Banco Pleno. Quando era governador da Bahia, Wagner autorizou a criação de um sistema de crédito consignado para servidores estaduais que, mais tarde, migrou para o portfólio do Master.
“A gente escolhe companheiros. Nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão”, declarou Lula, nesta quarta-feira (1º), durante a inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas, ao citar Jaques Wagner e outras lideranças baianas.
O evento reforçou a proximidade política entre presidente e senador, justamente no momento em que Wagner figura no inquérito. Ainda assim, o Palácio do Planalto não se manifestou oficialmente sobre as apurações da Operação Compliance Zero.
No contraponto, aliados de Flávio Bolsonaro também têm sido mencionados nas investigações. Segundo o relatório da Polícia Federal, transações ligadas a ex-assessores do parlamentar seguem em análise, mas, até o momento, não há indiciados ligados diretamente ao senador.
Analistas consultados destacaram que a divisão quase idêntica de percepções — 37,6% contra 36% — revela um ambiente político polarizado, em que a opinião pública tende a enxergar responsabilidade conforme sua preferência ideológica. Já o percentual que apontou o Centrão (6%) indica menor visibilidade desse bloco no caso, apesar de seu peso decisivo nas votações do Congresso.
Para especialistas em comunicação política, os números sugerem que a narrativa sobre o Caso Master ainda está em disputa. Eles ponderam que novas fases da Operação Compliance Zero podem alterar essa balança, sobretudo se surgirem provas robustas envolvendo nomes de destaque nos dois grupos políticos mais lembrados.
Enquanto as investigações prosseguem, o Banco Master mantém a linha de defesa de que todas as operações passaram por auditorias internas e externas, e nega ter cometido irregularidades. A instituição acrescentou que está colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos.
Com o levantamento divulgado, governistas e oposicionistas monitoram o impacto das denúncias na popularidade de suas lideranças, já de olho no calendário eleitoral de 2026. Até aqui, porém, o assunto permanece nas páginas policiais e no centro das disputas narrativas em Brasília.
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