Uma nova rodada da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira, 02 de julho, aponta que o suposto envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o Banco Master provoca desgaste na avaliação do governo federal, mas não altera de forma significativa a intenção de voto do eleitorado em relação à corrida presidencial deste ano.
De acordo com o levantamento, 37,8% dos entrevistados consideram que o problema é “exclusivamente do senador”, enquanto 35,6% entendem que a situação atinge diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para 23,5%, o caso atinge apenas “parte do governo”, e 3% preferiram não opinar.
Quando questionados especificamente sobre as suspeitas de recebimento de vantagens indevidas, 74,3% dos respondentes que tomaram conhecimento da operação afirmaram acreditar que Wagner recebeu benefícios do Banco Master. Outros 9,4% disseram não acreditar nessa hipótese, e 16,2% declararam não saber.
A percepção de desgaste aparece de forma mais clara quando os participantes avaliam o impacto na imagem do governo. Entre os que conhecem a investigação, 39,6% disseram que o episódio “piora muito” a avaliação do Palácio do Planalto, 17,5% responderam que “piora um pouco” e 36,2% afirmaram que “não afeta” o atual mandato. Apenas 4,4% enxergam algum tipo de melhora — ainda assim, de maneira residual.
“A gente escolhe companheiros. Nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão”, declarou o presidente Lula, ontem, durante inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas (BA), ao comentar a relação com Jaques Wagner.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Apesar do ruído político, o cenário eleitoral permanece favorável ao chefe do Executivo. Para 36,2% dos consultados, o possível envolvimento do senador “não prejudica” uma eventual candidatura de Lula à reeleição. Já 32,4% avaliam que o caso prejudica “muito” o projeto de continuidade no Planalto, enquanto 28,8% acreditam que “piora um pouco” as chances do petista.
O Instituto AtlasIntel entrevistou 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026.
O senador baiano passou a ser investigado pela Polícia Federal em 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero. Os agentes apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento em operações de crédito consignado para servidores públicos da Bahia. À época dos fatos sob investigação, Wagner ocupava o cargo de governador do estado e mantinha relação próxima com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e atual dono do Banco Pleno.
Nas agendas públicas, Lula e Wagner permaneceram lado a lado. Ontem, o senador acompanhou o presidente em Alagoinhas. O gesto foi interpretado por analistas como sinal de que o governo pretende blindar o aliado enquanto a apuração não é concluída, minimizando possíveis efeitos eleitorais negativos.
O desenrolar da investigação, no entanto, seguirá no radar do Palácio do Planalto. Se por um lado a pesquisa sugere que a base de apoio de Lula mantém fidelidade, por outro mostra que parte expressiva do eleitorado vê no caso um elemento capaz de agravar a avaliação do governo. À medida que a Operação Compliance Zero avança, novos desdobramentos poderão influenciar tanto a percepção sobre o senador quanto a agenda presidencial em um ano marcado pela disputa nas urnas.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









