Um levantamento nacional realizado pelo Instituto Datafolha mostra que grande parte do eleitorado mantém distância considerável do dia a dia do Congresso Nacional. Os números indicam que a maioria dos brasileiros não consegue citar um único deputado federal ou senador em exercício.
“A maioria dos eleitores brasileiros não consegue indicar o nome de ao menos um deputado federal ou senador atualmente no mandato”
O estudo foi aplicado em 17 e 18 de junho com 2.004 entrevistados distribuídos em 139 municípios, todos com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo o instituto, 75% dos participantes não souberam mencionar um senador e 68% não lembraram de nenhum deputado federal. Quando questionados sobre em quem votaram na eleição de 2022, dois em cada três cidadãos já não recordam seus escolhidos para as cadeiras proporcionais e majoritárias que compõem o Parlamento. O índice de esquecimento chega a 67% para deputado federal, 66% para senador e 66% para deputado estadual.
Entre os 513 deputados que hoje ocupam assento na Câmara, apenas oito foram citados de forma espontânea. O mais lembrado é Nikolas Ferreira (PL-MG), lembrado por 6% dos entrevistados. Erika Hilton (PSOL-SP) aparece em seguida, com 4%. Gustavo Gayer (PL-GO), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP) registraram 1% cada um.
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No Senado, onde o índice de lembrança foi um pouco maior — 25% conseguiram apontar pelo menos um nome —, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera com 3%. Romário (PL-RJ), Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR) aparecem empatados com 2%.
O desconhecimento provoca também confusões sobre cargos e mandatos. Entrevistados apontaram o senador Cleitinho como deputado federal e mencionaram Nikolas Ferreira como senador. Houve ainda citações a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), cujo mandato foi cassado em dezembro de 2025, fato que demonstra dificuldade de atualização sobre o quadro parlamentar.
Especialistas em ciência política atribuem o cenário à baixa cobertura das atividades legislativas, à dificuldade de personalização do voto proporcional e à percepção de que o Congresso é distante das demandas do cotidiano. Para eles, a falta de memória do eleitor tende a reduzir a cobrança por desempenho e contribui para uma lógica de renovação baixa no Parlamento.
Na avaliação dos pesquisadores, iniciativas que aproximem deputados e senadores — como transmissões on-line de comissões, prestação de contas periódica e presença mais ativa nas bases eleitorais — podem ajudar a reverter o quadro. Sem maior engajamento, o eleitor segue pouco propenso a associar leis e decisões a quem as propôs ou aprovou.
Os dados apresentados pelo Datafolha reforçam também debates sobre reformas que facilitem a identificação do representante, como listas distritais ou o voto distrital misto. Embora não haja consenso sobre o melhor modelo, a pressão por transparência ganha força à medida que a sociedade reconhece o impacto direto das decisões do Legislativo em temas como impostos, saúde, educação e segurança.
Enquanto mudanças estruturais não deixam o papel, o retrato revelado pela pesquisa serve de alerta para partidos, parlamentares e cidadãos: a representação democrática plena exige atenção mútua. Sem ela, cresce o risco de distanciamento entre quem faz as leis e quem por elas é afetado.
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