A Petrobras anunciou nesta terça-feira (30) que vai reduzir em R$ 0,3515 por litro o preço do diesel A – combustível comercializado antes da mistura obrigatória de biodiesel – a partir de amanhã, 1º de julho. O valor corresponde exatamente ao montante da subvenção fiscal instituída pela Medida Provisória 1.358, de 13 de maio de 2026, benefício que o governo federal decidiu encerrar nesta mesma terça-feira.
Com a mudança, os preços praticados pela estatal para as distribuidoras permanecerão em R$ 3,30 por litro, segundo nota divulgada pela companhia. A decisão, de acordo com a empresa, reflete a evolução recente dos mercados interno e externo de petróleo e derivados, além do término formal do subsídio concedido pelo Executivo.
“A gente não vai parar por aqui. Está em avaliação a outra subvenção do diesel, que é de R$ 1,15, e também, em especial, a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina”,
afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista concedida pela manhã. Ele acrescentou que o governo pretende anunciar em breve um cronograma – possivelmente gradual – para retirar total ou parcialmente o incentivo dado à gasolina.
A Medida Provisória 1.358 foi editada em maio com o objetivo de mitigar a volatilidade internacional do barril de petróleo sobre o mercado interno, gerando um alívio temporário sobre o preço final do combustível destinado ao transporte de cargas e passageiros. O benefício, entretanto, tinha caráter provisório e dependia de recursos orçamentários específicos.
Durigan justificou o fim do subsídio como parte de um compromisso de responsabilidade fiscal firmado pela equipe econômica. Segundo ele, a retirada dos incentivos atende ao cronograma original traçado pela Fazenda e não compromete a meta de inflação, uma vez que o valor do diesel vendido pela Petrobras já contempla a queda de R$ 0,3515.
Entidades que representam transportadores rodoviários afirmam acompanharão o comportamento das bombas nos próximos dias para verificar se a redução anunciada será repassada de forma integral ou parcial ao consumidor final. Economistas ouvidos avaliam que, como o preço às distribuidoras se mantém estável, a tendência é de repasse limitado no curto prazo, embora o mercado varejista possa registrar oscilações regionais.
Especialistas em energia lembram que o preço do diesel no Brasil resulta de diversos componentes – custo do petróleo, câmbio, impostos federais e estaduais, margens de distribuição e revenda –, de modo que alterações em apenas um desses fatores nem sempre se traduzem imediatamente em recuo na bomba. Ainda assim, a retirada da subvenção e a queda promovida pela Petrobras sinalizam um esforço conjunto para calibrar o mercado.
Para o governo, o fim do subsídio abre espaço no orçamento para outras políticas consideradas prioritárias e ajuda a reforçar a mensagem de disciplina fiscal. Já para o setor produtivo, a expectativa é que, mesmo sem o incentivo, o valor médio de R$ 3,30 por litro mantido pela Petrobras garanta alguma previsibilidade a curto prazo.
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