A Petrobras assinou, na terça-feira, 23 de junho, um memorando de entendimento (MOU) com a estatal mexicana Pemex para ampliar a cooperação na exploração de petróleo na parte mexicana do Golfo do México. O documento, válido por dois anos e renovável, foi rubricado na sede da petroleira brasileira, no Rio de Janeiro, pela presidenta Magda Chambriard e pelo diretor-geral da companhia mexicana, Juan Carlos Carpio Fragoso.
Pelo acordo, as duas empresas irão avaliar em conjunto oportunidades que envolvem revitalização de campos maduros, desenvolvimento de novos projetos e, sobretudo, prospecção em águas profundas e ultraprofundas — área em que a Petrobras acumula experiência reconhecida internacionalmente desde as descobertas do pré-sal.
“O Golfo do México, na sua porção mexicana, está praticamente virgem em termos de exploração em águas ultraprofundas”, afirmou Magda Chambriard. “Será que todo óleo do Golfo apareceu apenas na porção americana? Precisamos olhar para a região com novos olhos.”
Apesar de estabelecer diretrizes de colaboração técnica e estratégica, o memorando não impõe obrigações financeiras nem cria, de imediato, sociedade, consórcio ou joint venture. Na prática, o texto abre caminho para que equipes das duas estatais troquem dados sísmicos, compartilhem estudos geológicos e avaliem, caso a caso, a viabilidade de futuras campanhas exploratórias.
Durante a cerimônia, Chambriard explicou que a conversa com o governo mexicano começou após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela ressaltou que o Brasil é referência em produção em lâminas d’água superiores a 2.000 metros e que esse know-how pode acelerar a entrada da Pemex em áreas de maior complexidade tecnológica.
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“Exploração, produção, campos maduros, refino, gás natural, petroquímica e bioprodutos: tudo isso interessa ao Brasil e ao México e, por óbvio, interessa à Petrobras e à Pemex”, completou a executiva.
Juan Carlos Carpio Fragoso destacou que o entendimento inaugura uma nova etapa de aproximação entre as duas petroleiras. Segundo ele, o objetivo comum é “contribuir para o bem-estar dos países e para o fortalecimento da soberania energética”.
O Golfo do México abriga parte considerável da produção offshore dos Estados Unidos, mas o setor mexicano ainda tem potencial pouco explorado. A costa do país latino-americano inclui cinco estados banhados pelo golfo, representando um extenso território marítimo com características geológicas semelhantes às norte-americanas.
Além da guinada no relacionamento com a Pemex, a Petrobras tem intensificado sua presença internacional. Nos últimos anos, anunciou aquisições de áreas exploratórias na Namíbia, em São Tomé e Príncipe e na África do Sul, além de manter operações nos Estados Unidos, Colômbia, Argentina e Bolívia. A estratégia é diversificar a carteira de ativos e aproveitar oportunidades em regiões consideradas promissoras.
Especialistas do setor observam que, caso as análises confirmem reservas comerciais relevantes, os dois países poderão compartilhar investimentos, tecnologias de perfuração e sistemas de produção, reduzindo custos e riscos associados a projetos de grande porte em águas profundas. No curto prazo, entretanto, o foco permanece na troca de informações e no delineamento de áreas prioritárias para futuras licitações.
Com a assinatura do MOU, Petrobras e Pemex reforçam a tendência de cooperação entre empresas estatais latino-americanas interessadas em maximizar receitas com petróleo enquanto avançam em agendas de transição energética. A formalização do acordo marca mais um passo na estratégia da petroleira brasileira de se posicionar entre os principais atores globais do mercado offshore.
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