A Polícia Federal (PF) apreendeu a última arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma operação de busca e apreensão realizada na quarta-feira, 8 de julho. O armamento, uma espingarda Maestro Arms Company, estava sob a responsabilidade de uma empresa de armamentos sediada no Rio Grande do Sul e acabou localizado na residência de um dos administradores da firma, na cidade de Cachoeirinha (RS).
Segundo informações obtidas pelos investigadores, a defesa de Bolsonaro havia informado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o equipamento estava sendo mantido pela empresa. Entretanto, o comunicado não especificava o endereço exato nem apresentava documentação que atestasse a custódia. A inexistência desses comprovantes foi considerada determinante para que o ministro Alexandre de Moraes autorizasse a diligência policial.
Na mesma manhã, agentes da PF também compareceram à residência do ex-chefe do Executivo, onde examinaram cômodos e cofres em busca de outros armamentos e eventuais registros. Nada foi encontrado no imóvel, mas o mandado determinava a verificação de qualquer possível endereço vinculado à espingarda.
A operação desta quarta-feira foi um desdobramento de investigação iniciada após a apreensão de uma pistola, em 2025, durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal. O episódio levou o Supremo a requisitar inventário completo de todas as armas associadas a Bolsonaro.
“Não há nos autos documentação idônea que comprove, de forma inequívoca, que a espingarda esteja efetivamente sob a guarda da empresa”, registrou Moraes ao autorizar a ação.
De acordo com a PF, o armamento foi devidamente catalogado e encaminhado a um depósito da instituição para perícia. Caso se comprove situação irregular, o ex-presidente poderá responder por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido, crime previsto no Estatuto do Desarmamento.
Integrantes da defesa afirmam que já providenciam a documentação necessária para demonstrar a origem lícita da espingarda e argumentam que não houve intenção de ocultar o material: a localização teria sido repassada “de forma genérica” em razão de mudanças recentes nas instalações da empresa responsável.
A apreensão encerra, segundo fontes policiais, o inventário de armamentos em nome de Bolsonaro. Contudo, a investigação permanece aberta para verificar se houve omissões quanto a outros bens controlados ou transferidos sem comunicação oficial aos órgãos competentes.
Em nota, a PF ressaltou que o procedimento transcorreu sem intercorrências e que todos os envolvidos colaboraram com a coleta de informações. O órgão deve enviar relatório detalhado ao STF nos próximos dias.
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