A Polícia Federal cumpriu, na quinta-feira, 02/07, mandado de busca e apreensão que marcou a segunda fase da Operação Quadro Negro, investigação que apura o desvio de verbas públicas destinadas à Universidade Federal Fluminense (UFF). Os agentes da Delegacia de Niterói recolheram documentos e um disco rígido em endereços ligados a suspeitos de participar do esquema, que teria causado prejuízo estimado em R$ 9,6 milhões aos cofres federais.
O mandado foi expedido pela 2ª Vara Federal de Niterói. Segundo os investigadores, servidores da universidade e sócios de empresas contratadas combinavam valores dos serviços, autorizavam pagamentos superfaturados e, em troca, recebiam propina por meio de pessoas jurídicas controladas pelo grupo. A primeira fase da operação havia sido deflagrada em 2022, quando surgiram os indícios de formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
Nesta nova etapa, a PF afirma ter identificado a empresa que assumiu, a partir de 2016, o papel de intermediária dos pagamentos ilícitos depois que outra pessoa jurídica, apontada na fase inicial, deixou de receber repasses. Com isso, o grupo teria prolongado as práticas ilegais até 2018.
As suspeitas abrangem contratos firmados principalmente entre 2011 e 2015, período em que, de acordo com a investigação, ocorreram as liberações de recursos e a execução dos serviços superfaturados. Peritos federais analisam agora o material apreendido para rastrear fluxos financeiros, localizar beneficiários finais da propina e quantificar os valores efetivamente desviados.
A UFF declarou que não foi formalmente notificada sobre novos elementos da apuração, mas reiterou disposição para colaborar com os órgãos de controle. A instituição lembrou que, após a primeira fase, solicitou acesso aos autos para abrir processos administrativos internos, mas o pedido foi negado porque universidade e reitor não figuravam como investigados.
“A UFF reafirma seu compromisso permanente com uma gestão transparente e baseada nos princípios da Administração Pública”, informou a nota oficial. “A universidade ampliou suas instâncias de controle interno com a criação da Corregedoria e do Comitê Gestor de Integridade, mantendo como diretriz o aperfeiçoamento das medidas de governança e a capacitação de seus servidores.”
No comunicado, a reitoria reforçou que “eventuais irregularidades envolvendo recursos públicos devem ser apuradas com rigor, observado o devido processo legal e o respeito às atribuições dos órgãos responsáveis pela investigação”.
Os materiais recolhidos serão periciados em laboratórios especializados da Polícia Federal. Se confirmados os indícios, os responsáveis poderão responder por associação criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, crimes que, somados, podem levar a penas superiores a 30 anos de prisão.
A investigação segue sob sigilo judicial, e novas diligências não estão descartadas. A PF trabalha para concluir o inquérito e encaminhar o relatório final ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre o oferecimento de denúncias à Justiça.
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