A Polícia Federal (PF) deflagrou HOJE, 23/06, a Operação Miragem, mirando supostas fraudes contábeis praticadas pelo Banco Digimais. A ofensiva inclui o bloqueio judicial de R$ 670 milhões em bens e valores pertencentes aos principais investigados, entre eles os empresários José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, controladores da ID, gestora responsável por fundos do banco.
Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços comerciais e residenciais ligados aos executivos. Os investigadores afirmam ter identificado uma engenharia financeira usada para mascarar um rombo bilionário por meio da superavaliação de ativos de diversos fundos de investimento. O foco, segundo a PF, era inflar artificialmente o patrimônio da instituição e, a partir disso, lançar no mercado Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecendo rendimentos superiores a 110% do CDI, prática registrada entre 2023 e 2024.
O inquérito menciona ainda que o Digimais concentrou operações em crédito consignado e financiamento de veículos, segmento que viveu um rápido crescimento seguido de “severa deterioração” e prejuízos elevados. A situação financeira frágil teria sido agravada pela liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, que expôs o Digimais a aproximadamente R$ 600 milhões em carteiras de crédito compartilhadas.
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“A sistemática superavaliação de ativos inseridos nos fundos administrados pela corretora ID, com o escopo de inflar artificialmente o patrimônio do Banco Digimais para viabilizar a emissão desproporcional de títulos de captação, consubstancia fortes evidências de gestão fraudulenta e de inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis”, detalha relatório da PF.
Um dos casos apurados envolve o Fundo de Direitos Creditórios Hermon. De acordo com os autos, a ID comprou ativos do Hermon por R$ 71 milhões, mas sucessivas reavaliações elevaram esse montante para R$ 741 milhões nos balanços internos. O fundo detém o direito de receber até R$ 2,2 bilhões decorrentes de decisão judicial contra a União, processo que se arrasta desde a década de 1990 e cujo pagamento ainda é incerto.
Até o momento, a defesa dos citados não se manifestou publicamente. Os investigados podem responder por gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. As penas somadas podem ultrapassar 20 anos de prisão. A PF segue analisando documentos e arquivos digitais apreendidos, enquanto o Banco Central acompanha os desdobramentos.
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