HOJE, a Polícia Federal (PF) em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) desencadeou a segunda fase da Operação Monã, focada em desarticular um esquema de fraudes que teria provocado um rombo superior a R$ 100 milhões nos cofres da Previdência Social. As diligências se concentram principalmente no sul da Bahia, onde a organização criminosa atuava para obter ilegalmente benefícios destinados a integrantes de comunidades indígenas.
De acordo com o inquérito, o grupo utilizava declarações falsas de pertencimento a etnias locais como forma de burlar os critérios de concessão de aposentadorias rurais, salário-maternidade e outros auxílios previdenciários. Com a documentação forjada, os investigados conseguiam não apenas a liberação de pagamentos mensais, mas também recorriam ao crédito consignado, ampliando o montante desviado.
Para dar cumprimento às ordens judiciais, os agentes cumpriram 11 mandados de busca e apreensão nos municípios de Eunápolis e Porto Seguro. Durante as buscas, foram recolhidos computadores, aparelhos celulares e diversos documentos que podem comprovar a prática dos crimes. A Justiça determinou ainda o afastamento cautelar de dois servidores públicos suspeitos de facilitar o esquema dentro das próprias agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A pedido da PF, foram bloqueados mais de R$ 1,5 milhão em contas bancárias ligadas aos principais alvos da operação, além do sequestro de um veículo de alto valor de mercado, que teria sido adquirido com recursos obtidos ilicitamente. Os investigadores afirmam que o patrimônio real dos suspeitos pode ser muito maior, uma vez que parte do dinheiro pode ter sido pulverizada em aplicações financeiras e bens móveis.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato contra a Previdência Social e corrupção. Se condenados, as penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão, além da obrigação de ressarcir integralmente o erário.
A PF ressalta que as investigações seguem em curso para identificar outros eventuais beneficiários e servidores cooptados, bem como mapear a extensão total do prejuízo. Novas fases da operação não estão descartadas e dependem da análise do material apreendido.
A Operação Monã, que teve sua primeira etapa realizada em 2025, mira especificamente fraudes que exploram direitos sociais de populações tradicionais, minando recursos destinados à proteção social. As autoridades reforçam que denúncias anônimas sobre irregularidades no pagamento de benefícios podem ser encaminhadas por canais oficiais, incentivando a participação da sociedade no combate a fraudes previdenciárias.
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