A Polícia Federal deflagrou nesta terça (23) a Operação Miragem em São Paulo. Mais de 50 agentes cumprem mandados contra o Banco Digimais, ligado ao bispo da Igreja Universal.
A Polícia Federal está desde as primeiras horas desta terça-feira (23) nas ruas de São Paulo para cumprir nove mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Miragem, que investiga supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Mais de 50 agentes participam das diligências determinadas pela 6ª Vara Criminal Federal. A decisão judicial também autoriza a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 670 milhões.
O foco da investigação é o Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. De acordo com relatórios compartilhados pelo Banco Central, há indícios de manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para maquiar a real situação financeira da empresa e, assim, permitir a realização de operações supostamente irregulares.
“Os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares”, afirma nota da PF.
Entre as suspeitas levantadas estão gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em documentos oficiais e concessão de créditos proibidos pela Lei nº 7.492/1986. Caso confirmadas, as condutas podem resultar em penas que somam até 24 anos de prisão, além de multa.
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A Operação Miragem recebe esse nome em alusão à alegada estratégia de projetar solidez financeira inexistente. A investigação teve início após o Banco Central identificar inconsistências nos balanços anuais e encaminhar relatórios de inteligência à PF. Técnicos do órgão regulador acompanham o cumprimento dos mandados para coletar material contábil e digital que possa reforçar as suspeitas.
Os agentes concentram-se em endereços ligados à diretoria do banco, escritórios de contabilidade e residências de executivos. Computadores, celulares e documentos físicos são apreendidos e encaminhados para perícia. A PF também analisa movimentações financeiras que envolveriam empresas de fachada usadas para circular recursos sem lastro.
Por enquanto, não há mandados de prisão expedidos. Os investigados serão intimados a prestar depoimento nos próximos dias. A Justiça determinou que o Banco Digimais apresente, em até 48 horas, documentos contábeis atualizados e a composição de seu conselho de administração.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que operações desse tipo buscam preservar a estabilidade do sistema financeiro. Caso a solvência do banco seja afetada, o Banco Central pode intervir para proteger correntistas e evitar efeito cascata no mercado.
“Quando há sinais de inconsistência contábil, a velocidade da resposta institucional é essencial para evitar danos maiores”, avalia um ex-diretor do BC.
O Banco Digimais afirma, por meio de nota, que colabora com as autoridades e reitera confiança na lisura de seus processos internos. A instituição diz que suas operações seguem normalmente.
A Polícia Federal seguirá analisando o material apreendido e poderá solicitar novas medidas judiciais, caso surjam indícios adicionais de irregularidades.
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