A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, cumprindo 19 mandados de busca e apreensão em cinco municípios da Região Metropolitana do Rio. Entre os alvos estão o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o delegado Marcus Amim, que já chefiou a Secretaria de Polícia Civil fluminense.
Segundo a PF, o objetivo é desmontar uma organização criminosa que, há pelo menos seis anos, utiliza uma rede de postos de combustíveis como fachada para lavagem de dinheiro. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta movimentação superior a R$ 7,6 bilhões no período.
Durante as diligências, agentes recolheram cinco revólveres, um fuzil, grande quantidade de munição, joias, relógios de alto valor, dinheiro em reais e em moedas estrangeiras, além de quatro veículos de luxo encontrados em uma residência no bairro de Camboinhas, em Niterói. Em outro endereço, em Piratininga, dois automóveis de alto padrão também foram apreendidos.
A Justiça Federal determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos que possam surgir no decorrer das apurações.
“A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II e segue as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, com foco em quadrilhas que atuam no estado”, esclareceu a corporação em nota.
Már cio Canella, político com passagens pela Câmara Municipal, Assembleia Legislativa e Prefeitura de Belford Roxo — mandato exercido de 2025 a 2026 — foi conduzido à Superintendência da PF no centro do Rio para prestar depoimento. Em abril, ele renunciou ao cargo de prefeito para disputar as próximas eleições.
Na esfera administrativa, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou procedimento disciplinar para verificar eventual envolvimento de servidores.
“A instituição mantém mecanismos de controle interno, não compactua com desvios de conduta e colabora com os demais órgãos sempre que necessário”, afirmou a corporação.
Os mandados foram cumpridos nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Além do ex-prefeito e do ex-secretário, a lista de investigados inclui um policial civil em atividade e um ex-policial militar.
Responsáveis pela investigação destacam que o grupo se valia da posição de agentes públicos para dar aparência de legitimidade às transações. A ampla circulação de valores em diferentes moedas teria sido essencial para mascarar a origem ilícita do dinheiro.
A PF continua analisando o material apreendido, que deverá subsidiar novos pedidos judiciais e ampliar a identificação de envolvidos. As defesas dos citados não foram localizadas até o fechamento desta edição.
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