A Corregedoria-Geral da Polícia Federal finalizou o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e encaminhou ao ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, parecer que sugere a demissão do servidor do posto de escrivão por abandono de cargo. O documento já está no gabinete do ministro, que avaliará se confirma ou não a punição máxima prevista para o caso.
O processo teve início quando Eduardo deixou o Brasil no começo de 2025, alegando sofrer perseguição política, e fixou residência nos Estados Unidos. Como não se reapresentou ao trabalho, a Polícia Federal instaurou, em fevereiro de 2026, procedimento disciplinar para apurar violação do dever funcional de assiduidade.
Paralelamente, a Câmara dos Deputados decretou, em dezembro de 2025, a perda de mandato do então parlamentar pelo excesso de faltas às sessões legislativas. Depois disso, a PF notificou o servidor para que voltasse ao serviço, o que não ocorreu.
O quadro de Eduardo Bolsonaro ainda se agravou no âmbito penal. Em 16 de junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou, de forma unânime, a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Votaram nesse sentido o relator Alexandre de Moraes e os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
“Não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país. Desde a Constituição do Império até a atual, isso não consta como atribuição parlamentar”, destacou Moraes em seu voto.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, o ex-deputado tentou influenciar o governo norte-americano a impor sanções e tarifas contra o Brasil e contra autoridades do Judiciário, buscando interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A situação de Eduardo nos Estados Unidos, no entanto, mudou neste mês: o Departamento de Imigração norte-americano concedeu a ele o Green Card (Permanent Resident Card). O documento garante residência permanente e amplia direitos civis, aproximando o titular das prerrogativas conferidas a cidadãos norte-americanos.
O gesto ocorre em meio a uma relação econômica tensa entre Brasil e Estados Unidos. Na semana passada, o presidente Donald Trump anunciou um novo tarifaço de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A sobretaxa será aplicada a partir de 22 de julho, mas deixa de fora itens como etanol, carne bovina e café. A medida foi adotada sob a autoridade da Seção 301, dispositivo que permite retaliar práticas comerciais avaliadas como prejudiciais aos interesses norte-americanos.
Nessa mesma linha, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu investigação que aponta falhas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento, justificando a imposição das tarifas adicionais.
Agora, a carreira pública de Eduardo Bolsonaro depende da decisão do ministro Wellington Lima e Silva. Se o parecer da PF for acolhido, ele perderá definitivamente o cargo de escrivão. Não há prazo legal para que o ministro anuncie seu veredito, mas, nos bastidores, policiais afirmam que a recomendação da Corregedoria costuma ser endossada na maior parte dos casos.
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