Uma operação do 9º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo resgatou, na zona norte da capital, uma mulher filipina grávida de cerca de seis meses e seu filho de quatro anos que estavam em cárcere privado. A ação foi deflagrada depois que familiares da vítima, residentes nos Estados Unidos, enviaram denúncia ao Disque-Denúncia com detalhes sobre o endereço onde ela era mantida presa.
Segundo a corporação, o companheiro da mulher controlava documentos essenciais, como passaporte e Registro Nacional Migratório, impedindo qualquer tentativa de saída do imóvel. A manobra servia para reforçar a dependência e o isolamento da vítima. Quando as equipes chegaram ao endereço indicado, localizaram mãe e filho trancados em um cômodo e sem acesso livre à rua.
O suspeito não estava presente no momento da abordagem. Informações prestadas pelos policiais revelaram que ele já possuía condenação anterior pelo mesmo crime, envolvendo a mesma vítima, em outro estado. Após ser solto, ele se mudou para São Paulo e voltou a coabitar com a mulher, reincidindo na prática criminosa.
“Trata-se de um agressor contumaz, que aproveitou a mudança de cidade para tentar escapar da fiscalização. A pronta denúncia da família e a articulação com nosso efetivo foram decisivas para romper o ciclo de violência”, explicou o coronel Paulo Aguilar, responsável pelo comando da área.
Depois do resgate, as vítimas foram acolhidas pela Patrulha SP Mulher Segura, programa especializado no atendimento a mulheres em situação de risco. O protocolo incluiu avaliação médica para a gestante, exames de rotina para a criança e acompanhamento psicológico inicial. Em seguida, mãe e filho foram conduzidos em segurança à 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde o caso foi registrado como cárcere privado e ameaça.
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De acordo com o registro policial, a Justiça já foi comunicada sobre o descumprimento de medidas protetivas que haviam sido determinadas no processo anterior. A Polícia Civil seguirá na busca pelo paradeiro do suspeito, que permanece foragido. As investigações também vão apurar se houve aliciamento ou retenção de documentos migratórios como forma de tráfico de pessoas, hipótese considerada pelo histórico de violência e controle da documentação.
Autoridades reforçaram a importância de denúncias anônimas para casos semelhantes. O Disque-Denúncia (181) e o serviço 190 da PM atendem 24 horas por dia. Em ocorrências envolvendo mulheres em iminente risco, o Ligue 180 permanece como canal federal de emergência.
O resgate reforçou debates acerca da vulnerabilidade de mulheres migrantes que vivem em relações abusivas, especialmente quando dependem do parceiro para regularização de sua permanência no país. Especialistas lembram que a falta de rede de apoio e possíveis barreiras linguísticas aumentam a dificuldade de acesso a serviços públicos e à denúncia.
Enquanto prosseguem as diligências para localização do agressor, a gestante e o filho seguem sob proteção institucional. Segundo a PM, novas medidas judiciais poderão ser requeridas, incluindo a solicitação de monitoramento eletrônico do suspeito caso ele seja localizado e liberado mediante fiança. A Defensoria Pública informou que irá acompanhar o caso para garantir assistência jurídica à estrangeira durante todo o processo.
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