A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) mantém, HOJE, a investigação sobre uma lista virtual que expôs alunas do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, colocando-as em categorias de cunho sexual. O conteúdo circulou em redes sociais e aplicativos de mensagem, provocando preocupação entre famílias e educadores.
De acordo com a titular da especializada, delegada Maria Luisa Machado, 65 estudantes serão ouvidas. O diretor da escola já prestou depoimento na quarta-feira, 08/07. O objetivo é identificar quem produziu e quem compartilhou a chamada “tier list”.
“O material foi criado de forma anônima, o que dificulta o rastreamento, mas a oitiva das alunas pode indicar a origem e o percurso da divulgação”, explicou a delegada.
A plataforma utilizada permite que usuários ranqueiem nomes em faixas predefinidas. No caso investigado, as categorias eram:
• “GOAT” (sigla em inglês para “melhor de todos os tempos”);
• “Comeria no lucro”;
• “Bêbado vai”;
• “Me arrependi depois”;
• “Nem olharia”.
As descrições depreciativas levaram a direção do colégio a acionar imediatamente o Conselho Tutelar e a DCAV. Segundo o inquérito, todos os investigados são menores de idade e podem responder por atos análogos a injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame ou constrangimento, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Especialistas em direito digital afirmam que, mesmo sem adultos envolvidos, a conduta configura crime. O advogado Ricardo Farias observa que a anonimização na rede não impede punição.
“Ferramentas de rastreamento de IP e ordens judiciais às plataformas costumam revelar autores desse tipo de publicação”,
pontua.
Na comunidade escolar, o episódio acendeu debate sobre o ambiente virtual. A psicopedagoga Patrícia Lemos destaca que listas de ranqueamento alimentam descriminação e podem afetar autoestima de adolescentes.
“A escola precisa reforçar valores de respeito e orientar alunos sobre os impactos permanentes do que é postado on-line”,
ressalta.
Em nota interna, a instituição informou colaborar com a polícia, reforçar ações de segurança digital e oferecer apoio psicológico às vítimas. “Estamos comprometidos com um ambiente saudável e seguro”, diz o comunicado.
Enquanto isso, os investigadores reúnem capturas de tela, conversas e metadados fornecidos por familiares. A expectativa da DCAV é finalizar o relatório nas próximas semanas e encaminhá-lo ao Ministério Público, que pode propor medidas socioeducativas aos responsáveis.
Policiais também analisam se houve incitação de terceiros a ataques físicos ou perseguição, o que elevaria a gravidade das sanções. Até o momento, não há registro de violência fora da internet, mas a delegada Machado afirma que o acompanhamento seguirá atento.
Para pais e responsáveis, a orientação é monitorar redes dos filhos, dialogar sobre respeito mútuo e denunciar qualquer conteúdo semelhante. O canal para recebimento de informações permanece aberto na própria DCAV, que garante sigilo aos denunciantes.
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