Polícia


Pai passa por “via crúcis” para denunciar estupro da filha de 13 anos em Sergipe


Publicado 14 de março de 2020 às 15:46     Por Habacuque Villacorte     Foto José Edirani Santos

Desde as primeiras horas deste sábado (14), a reportagem do portal Aju News acompanha a “via crúcis” do trabalhador rural Juscelino da Silva Santos, morador do povoado Terra Dura, no município de Capela, no interior sergipano que teve sua filha adolescente, de apenas 13 anos, estuprada por um morador da comunidade que, segundo os familiares, é conhecido por “Mocinho”.

Segundo seu Juscelino, o suspeito teria assediado sua filha e a convenceu a encontra-lo em um canavial nas proximidades de sua residência. “Quando eu acordei, logo cedo, por volta de 5 horas, não vi minha filha em casa. Eu e a mulher entramos em desespero. Decidi sair procurando ela. Quando eu menos esperava, ela apareceu, saindo do canavial e ele (suspeito) saindo do outro lado”.

O pai da adolescente disse que chegou a abordar o homem conhecido por “Mocinho” e que o mesmo negou que havia abusado de sua filha. “Ele correu para a casa dele, trocou de roupa e saiu com uma enxada. Eu estava muito nervoso, ele tinha mexido com minha filha. Dentro de casa a mãe teve que limpar ela”, disse o pai, assumindo que ficou ainda mais revoltado quando a filha assumiu que teria sido abusada sexualmente.

Via crúcis

De imediato, seu Juscelino seguiu com a filha e procurou a Delegacia de Capela. Para a surpresa dele, o distrito policial estava fechado e ele só poderia registrar o suposto estupro de sua filha na segunda-feira (16). Foi então que ele decidiu procurar o representante comercial José Edirani Santos, que reside em Capela, e passou a dar todo o suporte a esta família.

“Recebi um telefonema e os recebi em minha residência. Eles muito abalados, ainda com fome e um tanto desesperados. Eles tomaram café, se acalmaram um pouco. Confesso que é uma aberração esse desenho da Segurança Pública do nosso Estado. Estamos falando de um suposto crime de estupro de uma menor e o pai tem essa dificuldade toda para denunciar? Voltar na segunda-feira?”, questionou o representante comercial.

José Edirani explicou que decidiu acionar o Conselho Tutelar de Capela. “Como eles não possuem veículo próprio, ficam dependendo da boa vontade da Prefeitura Municipal. Passaram a manhã inteira esperando a liberação do veículo, que felizmente saiu no início da tarde. Eu espero apenas que tudo isso se resolva e que a justiça seja feita. Isso revolta, isso é um drama para a família que entristece toda a comunidade capelense”, desabafou.

Para registrar a ocorrência, seu Juscelino seguiu de Capela até a cidade de Propriá, mais precisamente na Delegacia Regional. A distância entre as duas cidades é de, aproximadamente, 40 km, ou seja, só para denunciar o suposto estupro de sua filha, a vítima teria que percorrer, inicialmente, 80 km, considerando os percursos de ida e volta.

Feito o registro, seu Juscelino ainda terá que ser trazido, no carro da prefeitura de Capela, até Aracaju para o Instituto Médico Legal (IML), em Aracaju, para ser realizado o exame de corpo de delito na menor, ou seja, além dos 40 km de seu município até Propriá, da cidade ribeirinha para Aracaju são mais 81,6 km e mais 44,6 km da capital até o retorno para Capela.

No final do dia, apenas para registrar uma ocorrência policial de um suposto crime bárbaro de assédio seguido de estupro de uma adolescente de apenas 13 anos, seu Juscelino terá percorrido cerca de 166 km.

Desabafo

Pais de quatro crianças, três meninas e um menino, todos menores, ainda em deslocamento para Propriá, no início da tarde desse sábado, desabafou para a reportagem do Aju News. “Ela é minha filha mais velha, tem apenas 13 anos. Ele (suspeito) fez a cabeça da minha filha, ela saiu de casa cedo, ele abusou ela. Um homem com quase uns 30 anos! Isso tudo é muito triste”, disse, visivelmente emocionado e revoltado. A reportagem vai acompanhar o desfecho do caso.

 

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