O Progressistas (PP) deverá oficializar, nos próximos dias, uma posição de neutralidade diante da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. A decisão, articulada às vésperas do calendário de convenções que começa em 20 de julho, tende a liberar os filiados para apoiarem o presidenciável que julgarem mais conveniente em seus estados.
Com a provável neutralidade, a campanha de Flávio Bolsonaro deixará de contar não só com o apoio formal do PP, mas também com o do União Brasil, legenda federada ao Progressistas na União Progressista. Essa movimentação reduz o tempo de propaganda, enfraquece o palanque nacional do senador e, principalmente, esvazia a busca por um nome de vice dentro das fileiras progressistas.
Interlocutores relatam que o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, tem sido peça-chave nessa guinada. Ele avaliou como insuficiente o respaldo de Flávio Bolsonaro quando esteve no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre o banco Master. Bastidores mostram que, nas últimas reuniões internas, a maioria dos dirigentes defendeu o distanciamento da disputa presidencial.
“Neutralidade total”, afirmou um dirigente, resumindo o sentimento predominante.
A mudança de rota congela qualquer possibilidade de o PP indicar o vice na chapa. Nomes ventilados, como das deputadas Clarissa Tércio (PE) e Simone Marquetto (SP), saem do radar. A ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina, que aparecia em especulações, já reiterou o desejo de disputar o Senado e se mantém fora da mesa de negociações.
Sem o Progressistas, cresce a chance de Flávio Bolsonaro montar uma chapa pura — composta apenas por quadros do PL —, hipótese que gera resistências internas devido ao menor tempo de TV. A alternativa vislumbrada é Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Filhada ao Republicanos, de Tarcísio de Freitas, ela agrada ao núcleo palaciano, mas o partido condiciona apoio a acordos regionais ainda pendentes.
Enquanto as articulações avançam, a contagem regressiva para as convenções pressiona todas as siglas a fechar posição. Dirigentes progressistas planejam divulgar a neutralidade antes de 20 de julho, permitindo que parlamentares e candidatos estaduais alinhem suas estratégias eleitorais sem ferir a disciplina partidária.
Nesse tabuleiro, Flávio Bolsonaro trabalha para ampliar alianças e reverter o isolamento. Mesmo sem o PP na vice, aliados acreditam que a neutralidade poderá, ao menos, reduzir ataques diretos e facilitar conversas pontuais em estados onde a militância progressista é mais próxima ao bolsonarismo.
A definição final, no entanto, permanecerá em aberto até que a executiva nacional do PP assine a resolução que autoriza cada filiado a escolher livremente seu candidato à Presidência.
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