Empresas, universidades e ONGs têm até 2/9 para sugerir produtos que podem ganhar tratamento comercial diferenciado no acordo Mercosul-UE. A consulta do MDIC/Secex quer criar um portfólio que una renda e conservação.
Empresas, universidades, pesquisadores e organizações da sociedade civil que desenvolvem ou apoiam produtos ambientalmente responsáveis têm até quarta-feira, 2 de setembro, para sugerir itens que poderão receber tratamento comercial diferenciado no âmbito do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia. A iniciativa, conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), pretende montar um portfólio de mercadorias e cadeias produtivas que conciliem geração de renda e conservação ambiental.
O acordo, promulgado em março, já prevê benefícios tarifários para mercadorias consideradas sustentáveis. Porém, a lista inicial ainda é restrita. As contribuições coletadas durante esta consulta pública servirão para ampliar esse rol, potencializando o acesso de produtores brasileiros ao mercado comum europeu, que concentra mais de 447 milhões de consumidores exigentes em termos de rastreabilidade e critérios verdes.
De acordo com informações divulgadas pela secretaria, a coleta de sugestões foca principalmente em itens provenientes da sociobiodiversidade, de sistemas agroflorestais, da restauração de ecossistemas e de cadeias que unam baixo impacto ambiental, inovação tecnológica e inclusão social. A intenção é mapear, com o apoio da sociedade, desde matérias-primas florestais não madeireiras até produtos industrializados com alto teor de economia circular.
Quem pode participar
- Setor produtivo: companhias de todos os portes, cooperativas e produtores rurais.
- Universidades e instituições de pesquisa: grupos acadêmicos ou laboratoriais que desenvolvam tecnologia verde.
- Organizações da sociedade civil: fundações, ONGs e coletivos com atuação socioambiental.
- Representantes de cadeias produtivas: associações setoriais e consórcios regionais.
- Demais interessados: consultorias, startups e especialistas em sustentabilidade.
Para participar, o interessado deve preencher formulário disponível na plataforma Brasil Participativo até as 23h59 do dia 2. As manifestações devem detalhar o produto, descrever como ele preserva ou recupera ecossistemas, indicar a localização da cadeia e apontar métricas verificáveis de impacto socioambiental positivo.
Potenciais vantagens para os selecionados
- Acesso preferencial ao mercado europeu, com redução ou eliminação de tarifas.
- Prioridade em ações de promoção comercial organizadas pelo governo.
- Maior visibilidade em feiras e rodadas de negócio voltadas à bioeconomia.
- Reconhecimento oficial como boas práticas de sustentabilidade no exterior.
A Secex ressalta que a lista final servirá de base para negociações periódicas de quotas e tarifas com a União Europeia, o que pode abrir novas frentes de exportação de longo prazo. O ministério também avalia que o processo estimula a adoção de padrões certificados de manejo florestal, rastreabilidade e redução de emissões de carbono em diferentes setores.
Mesmo empresas que ainda não exportam podem se beneficiar, pois o reconhecimento governamental tende a atrair investimentos e parcerias internacionais voltadas à inovação verde. Além disso, cadeias produtivas previamente mapeadas terão mais facilidade em acessar linhas de crédito específicas para projetos sustentáveis operadas por bancos públicos e organismos multilaterais.
Com a reta final da consulta, autoridades reiteram a importância de que todos os segmentos ligados à bioeconomia, produção orgânica, agricultura familiar e projetos de restauração ecológica enviem suas propostas dentro do prazo. A expectativa é que o resultado preliminar, contendo os produtos habilitados, seja divulgado ainda neste semestre, seguido de nova etapa de validação técnica.
A consulta pública aparece em meio a discussões sobre padrões globais de sustentabilidade e reforça a estratégia brasileira de posicionar-se como fornecedor de soluções climáticas, biodiversidade e alimentos de baixo impacto ambiental ao bloco europeu.
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