O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP), Leonardo Sica, esclareceu HOJE, 25/06, em vídeo publicado no Instagram, os motivos que levaram o Tribunal de Ética da entidade a suspender a advogada e influenciadora Deolane Bezerra do exercício profissional.
Sica lembrou que a decisão, anunciada na quarta-feira (24), determina afastamento que pode variar de 90 a 360 dias. De acordo com o dirigente, a medida segue o rito previsto no Estatuto da Advocacia e no Código de Ética.
“Nesse período, o Tribunal de Ética vai fazer o julgamento, que pode terminar em condenação, suspensão, exclusão ou absolvição”, explicou.
Ele reforçou que todo o trâmite ocorre dentro do devido processo legal e que a OAB-SP também acompanha o pedido de transferência de Deolane de cela comum para cela especial, prerrogativa prevista para qualquer advogado preso preventivamente.
“A lei garante que todo advogado preso preventivamente fique em cela separada. Esse direito a OAB atua para garantir a todos: toda e qualquer advogada ou advogado em São Paulo tem essa assistência, como ela teve”, declarou Sica.
O presidente acrescentou que a ordem cumpre sua missão institucional, ainda que isso muitas vezes represente decisões impopulares.
“Talvez fosse mais fácil não fazer nada. Mas não estamos aqui para fazer o fácil; estamos aqui para fazer o certo”, afirmou.
A suspensão ocorre paralelamente às investigações da Operação Vérnix, deflagrada em 21 de maio pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para apurar lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Conforme os investigadores, Deolane teria atuado como “caixa” da facção, recebendo valores provenientes do PCC por meio da Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”. A empresa, apontada como braço financeiro do grupo, teria movimentado mais de R$ 20 milhões, montante incompatível com o declarado ao Fisco.
Além da influenciadora, a operação mirou Marco Herbas Camacho, o Marcola, seu irmão Alejandro Camacho, os sobrinhos Paloma Sanches e Leonardo Alexsander Camacho, e Everton de Souza, apelidado “Player”. Marcola e Alejandro já cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília.
No total, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, bloqueou mais de R$ 327 milhões em bens e valores, sequestrou 17 veículos – incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões – e quatro imóveis ligados aos investigados.
A apuração começou em 2019, após agentes encontrarem bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau com ordens internas do PCC e possíveis ameaças a servidores públicos. Três inquéritos foram instaurados e revelaram que familiares e pessoas próximas ao líder da facção administravam a transportadora, dividiam lucros e repassavam orientações financeiras.
Segundo o relatório policial, Paloma e Leonardo Alexsander atuavam como beneficiários das contas, enquanto Everton de Souza direcionava pagamentos. A polícia sustenta que Deolane empregou sua estrutura financeira para inserir recursos ilícitos no sistema formal, etapa decisiva do processo de lavagem de capitais.
Com o processo disciplinar em curso na OAB-SP e as investigações criminais em andamento, o futuro da carreira de Deolane dependerá dos desdobramentos judiciais e do julgamento final no Tribunal de Ética.
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