A ANPR divulgou nota nesta quarta (9) pedindo que autoridades ajam com moderação e apego à legalidade diante da crise que envolve o STF e o procurador-geral Paulo Gonet. A entidade ressalta confiança nas instituições.
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou, nesta quarta-feira (9), uma nota pública na qual pede moderação às autoridades envolvidas na crise que afeta o Supremo Tribunal Federal (STF) e alcança o nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“A ANPR conclama todos os agentes públicos envolvidos a agir com moderação e apego à legalidade, com a serenidade de quem confia que as instituições, construídas ao longo de décadas de amadurecimento democrático, têm mecanismos próprios para superar crises e divergências, garantindo os princípios basilares do Estado Democrático de Direito.”
Segundo o texto, o objetivo é reforçar o compromisso institucional com a estabilidade e preservar a capacidade do Estado de proteger direitos. A entidade salientou que, em momentos de tensão, a democracia brasileira costuma passar por um processo de autocorreção sustentado em diálogo entre Poderes e respeito mútuo.
“As instituições devem sempre prevalecer, e preservar sua autoridade é preservar a própria capacidade do Estado de proteger direitos e garantir a ordem democrática.”
A ANPR representa cerca de mil procuradores da República e costuma elaborar a lista tríplice que serve de sugestão para a escolha do chefe do Ministério Público Federal. No comunicado, a associação recordou que espera ver o caminho da legalidade e do diálogo prevalecer, reafirmando que crises devem ser solucionadas pelos mecanismos institucionais disponíveis.
A manifestação é resposta ao agravamento do impasse envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. A tensão cresceu após Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, tornar públicos relatórios parciais sobre suposta corrupção e fraudes bilionárias atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.
Entre os 52 registros extraídos do celular de Vorcaro, investigadores dizem ter identificado mensagens direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. Nos diálogos, constam menções a “Andrei” e “Paulo”, que, ainda de acordo com os responsáveis pelo inquérito, seriam o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A divulgação dos relatórios levou ao afastamento de Andrei Rodrigues, decisão que foi posteriormente revista, resultando na reintegração do dirigente à chefia da corporação. Enquanto isso, Alexandre de Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro. Os investigadores afirmam que não foi possível recuperar as supostas respostas do ministro a Vorcaro.
Paulo Gonet recorreu ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando a anulação do material tornado público por Mendonça. Segundo o procurador-geral, o relator teria ultrapassado sua competência ao avançar sobre a conduta de um colega de Corte sem autorização do plenário.
A situação levou Fachin a cancelar a sessão plenária marcada para hoje, medida que evidenciou o clima de instabilidade dentro do Supremo. Entidades científicas já defenderam apuração rigorosa do caso, enquanto setores políticos pedem acesso integral aos autos, em busca de esclarecer responsabilidades.
Ao final da nota, a ANPR reiterou sua confiança na “capacidade de autocorreção institucional” e reforçou que a solução para qualquer impasse passa, necessariamente, pela observância estrita da legalidade e pelo respeito aos limites constitucionais de cada Poder.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









