Nesta segunda-feira (6), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou nova estimativa sobre o impacto da possível elevação de tarifas de importação dos Estados Unidos contra bens brasileiros. A entidade calcula que 4.187 itens, responsáveis por US$ 14,9 bilhões em vendas externas, poderão ser atingidos caso entrem em vigor duas sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% ora em análise em Washington.
Atualmente, esses produtos já se enquadram na tarifa temporária de 10% autorizada pela Seção 122 da legislação comercial norte-americana, regra válida até 24 de julho. Se as investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) resultarem em parecer favorável à nova cobrança, a alíquota total aplicada sobre as mercadorias brasileiras saltará para 37,5%, representando acréscimo de 27,5 pontos percentuais.
A expectativa é de que a decisão final seja divulgada até 15 de julho. Entre os artigos mais vulneráveis, o Brasil figura como principal fornecedor do mercado norte-americano em 11 categorias, o que amplia o alcance da medida sobre cadeias produtivas já integradas entre os dois países.
“O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A investigação norte-americana teve início em julho de 2025, após o USTR apontar supostas barreiras brasileiras em comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao etanol e regimes tarifários preferenciais. Desde então, o governo dos EUA conduz duas frentes de apuração: uma que propõe a tarifa de 25% e outra que sugere sobretaxa de 12,5%.
Para defender o setor industrial brasileiro, o embaixador Roberto Azevêdo participa amanhã (terça-feira, 7) de audiência pública em Washington. Das 80 pessoas inscritas para falar, 66 pretendem se posicionar contrárias ao aumento tarifário.
“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, reforça Alban.
Segundo a confederação, o impacto das novas alíquotas não recairia apenas sobre exportadores brasileiros. Empresas e consumidores norte-americanos também sentiriam a alta de custos em segmentos que utilizam insumos do Brasil, ampliando pressões sobre preços e cadeias de abastecimento internas nos EUA.
Embora o cenário ainda dependa de decisão oficial, a CNI destaca que a proximidade das datas — audiência pública nesta terça-feira e prazo de deliberação até 15 de julho — exige mobilização rápida do setor produtivo e das autoridades brasileiras para tentar reverter a proposta. A entidade mantém diálogo com o Ministério das Relações Exteriores e com parlamentares norte-americanos, apostando em argumentos técnicos sobre integração industrial e impacto inflacionário para tentar conter o chamado “tarifaço”.
Caso a sobretaxa seja aprovada, a CNI prevê redirecionamento de parte das exportações para outros destinos, revisão de contratos e, possivelmente, novos pleitos de compensação na Organização Mundial do Comércio. O setor, porém, reforça que a solução preferencial continua sendo o entendimento bilateral que preserve o fluxo de US$ 14,9 bilhões em comércio anual e evite rupturas em cadeias já consolidadas.
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