O presidente russo fez duras acusações ao Ocidente em cerimônia militar nesta terça (23). Para Putin, países da aliança usam pretexto de ameaça russa para ampliar arsenais.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta terça-feira (23/06) que os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estariam se preparando “abertamente” para um confronto direto contra Moscou, ao mesmo tempo em que elevam seus orçamentos de defesa. As declarações ocorreram durante uma cerimônia de formatura de instituições militares de ensino superior, em Moscou.
De acordo com o chefe do Kremlin, líderes ocidentais estariam usando a “suposta ameaça russa” como justificativa para ampliar gastos militares e promover a militarização de seus territórios. Na avaliação dele, essa narrativa visa sustentar políticas que classificou como agressivas contra a Federação Russa.
“Agora falam abertamente no Ocidente que estão se preparando para uma guerra contra nós”, disse Putin aos formandos, acrescentando que a Otan e a União Europeia estariam propagando “declarações falsas” sobre uma ameaça de Moscou.
O presidente russo afirmou ainda que, ao criar riscos à segurança russa, as nações do bloco forçariam Moscou a adotar ações de autodefesa e, depois, responsabilizariam o país por suas próprias respostas. Ele comparou o cenário atual às acusações feitas à União Soviética após a invasão nazista de 1941, sugerindo paralelos históricos para justificar a postura do governo.
Putin também advertiu que eventuais ataques lançados contra o território russo, a partir de bases ocidentais, desencadeariam uma reação militar imediata. Segundo ele, as autoridades de defesa da Otan “entendem ou deveriam entender” as possíveis consequências de qualquer investida direta.
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“Eles entendem que haverá uma resposta. Todos entendem isso, ou deveriam entender”, reforçou.
O conflito na Ucrânia foi outro ponto abordado. Putin afirmou que não enxerga espaço para negociar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, citando o que chamou de ataques de Kiev contra alvos civis em território russo. Ele garantiu que as forças armadas de seu país “seguem avançando em toda a linha de frente”, sem detalhar posições ou números.
As ponderações do mandatário foram endossadas pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Grushko, que avaliou crescente o risco de um confronto militar entre Rússia e Otan. De acordo com Grushko, a aliança trabalha com um horizonte estratégico até 2030 e Moscou manteria recursos “suficientes” para responder a “qualquer cenário” nas fronteiras ocidentais.
Analistas internacionais observam que o aumento de exercícios militares na Europa, somado aos anúncios de reforço em blindados, sistemas antiaéreos e efetivos terrestres, contribuiu para escalar a tensão entre Moscou e os governos do bloco atlântico. Paralelamente, sanções econômicas e restrições comerciais impostas desde o início da guerra na Ucrânia continuam em vigor, afetando relações diplomáticas e o mercado global de energia.
Enquanto isso, organizações multilaterais apelam por canais de diálogo para evitar um potencial alastramento do conflito, mas, por ora, as posições permanecem cristalizadas. Moscou exige garantias de segurança e o fim do que considera “expansão hostil” da Otan, enquanto Estados Unidos e aliados defendem o direito de Kiev de buscar proteção militar e suporte econômico.
Diante desse impasse, especialistas alertam que qualquer incidente — acidental ou não — próximo às fronteiras russas pode elevar o risco de escalada além do território ucraniano, aproximando-se do cenário descrito por Putin. Até o momento, contudo, não há indicação de reuniões formais entre Moscou e Washington para tratar de limites estratégicos ou de um cessar-fogo.
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