O Kremlin informou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone neste sábado, 04/07, data em que se celebram os 250 anos da independência norte-americana. A chamada, solicitada por Moscou, ocorreu no início da tarde no fuso de Moscou e durou cerca de 40 minutos, segundo auxiliares russos.
De acordo com a Presidência russa, o principal tema do diálogo foi o conflito na Ucrânia. Ambos analisaram cenários diplomáticos e militares a poucos dias da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), marcada para 7 e 8 de julho, em Ancara, Turquia. Putin teria compartilhado sua avaliação sobre as atuais linhas de frente e as negociações indirectas mediadas por países neutros.
Washington não se pronunciou oficialmente até o momento, mas fontes próximas a Trump confirmaram que o ex-mandatário pretende levar as impressões da conversa para os encontros que manterá à margem do evento da OTAN. Mesmo sem cargo público, Trump deverá participar de painéis paralelos a convite de círculos conservadores europeus.
“Os presidentes abordaram naturalmente a questão de uma solução na Ucrânia, levando em conta, em particular, a participação próxima de Donald Trump na cúpula da OTAN na Turquia nos dias 7 e 8 de julho”, declarou Yuri Ushakov, assessor diplomático do Kremlin, à agência de notícias Ria Novosti.
Não há confirmação sobre propostas concretas apresentadas, mas interlocutores russos descrevem a ligação como “franca” e “focada em opções de cessar-fogo regional”. Por sua vez, analistas em Kiev avaliam que Moscou busca sinalizar abertura a conversas antes que a Aliança Atlântica discuta novos pacotes de ajuda militar à Ucrânia.
Horas antes da chamada entre Putin e Trump, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, também falou com o ex-chefe da Casa Branca. De acordo com o gabinete de Zelensky, o ucraniano atualizou Trump sobre as necessidades das forças de defesa e reiterou a importância de sistemas antiaéreos adicionais. Até o momento, os diálogos não resultaram em anúncios de compromissos formais de Washington ou do Partido Republicano.
No panorama diplomático, a sequência de telefonemas evidencia o esforço de diferentes capitais em antecipar posições para a reunião de Ancara. Governos europeus avaliam que o encontro na Turquia poderá definir ajustes na estratégia ocidental, sobretudo após a confirmação de que o conflito ultrapassou a marca de dois anos sem solução à vista.
Apesar da coincidência da data histórica, o conteúdo da conversa entre líderes russo e norte-americano reforça que o horizonte de negociações segue condicionado ao tabuleiro geopolítico da OTAN. Observadores lembram que Putin tem intensificado contatos bilaterais antes de fóruns multilaterais, enquanto Trump mantém influência considerável sobre a ala conservadora dos Estados Unidos e sobre setores de segurança da Europa.
A cúpula de Ancara, portanto, surge como próximo termômetro das relações Leste-Oeste. Até lá, diplomatas esperam nova rodada de trocas indiretas, na tentativa de alinhar mínimos denominadores que possam ser transformados em propostas oficiais nas mesas de negociação.
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