Ardor, descamação e rachaduras que insistem em não desaparecer podem ser sinal de algo mais sério do que simples ressecamento. As chamadas feridas de sol nos lábios — nome técnico: queilite actínica — resultam do acúmulo de radiação ultravioleta ao longo dos anos. A condição provoca inflamação crônica e altera cor, textura e contorno da boca, principalmente no lábio inferior, a área mais exposta à luz direta.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para 2026, o Brasil deverá registrar cerca de 10,9 mil novos diagnósticos de câncer de lábio, afetando majoritariamente homens que trabalham ao ar livre na agricultura ou na construção civil. Esses números reforçam a necessidade de reconhecer precocemente os sinais de alerta.
Entre os sintomas mais relatados em consultórios estão descamação persistente, sensação de “lixa fina”, perda do limite natural entre lábio e pele do rosto, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, além de rachaduras que sangram ao falar ou sorrir. Quando hidratantes comuns não resolvem, é hora de buscar ajuda especializada.
“Qualquer machucado, mancha ou aspereza que permaneça por mais de quinze dias precisa ser avaliado por dermatologista ou cirurgião-dentista”, orientam especialistas.
O diagnóstico começa com exame clínico minucioso. O profissional avalia textura, sensibilidade e possíveis nódulos internos. Se a lesão não cicatriza em duas semanas, costuma solicitar biópsia com anestesia local para confirmar se as alterações são apenas inflamatórias ou já evoluíram para um tumor em fase inicial.
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Nos estágios leves, a prioridade é interromper o dano solar contínuo. Bastões labiais com fator de proteção (FPS) a partir de 30 tornam-se item obrigatório, inclusive em dias nublados. Para casos moderados, pomadas tópicas que eliminam células danificadas, crioterapia com nitrogênio líquido ou lasers que renovam a superfície labial podem ser prescritos. Lesões avançadas, por sua vez, exigem remoção cirúrgica com margem de segurança para evitar recidiva.
Sobre cuidados diários, especialistas esclarecem dúvidas frequentes:
Protetor corporal serve para a boca? Não é indicado; a textura e o sabor desagradáveis aumentam o risco de ingestão. O bastão labial contém ceras que fixam melhor na mucosa.
Manteiga de cacau substitui FPS? Embora hidrate, ela não filtra radiação ultravioleta. O produto ideal traz FPS no rótulo.
A pele dos lábios é fina, quase sem melanina e sem glândulas sebáceas — combinação que favorece agressões solares. Para quem trabalha exposto ou pratica esportes ao ar livre, chapéus de aba larga, pausas em áreas sombreadas e reaplicação frequente do protetor labial completam a estratégia preventiva.
Ignorar os sinais pode permitir a progressão da queilite actínica para câncer de lábio, doença tratável, mas que demanda procedimentos mais invasivos. Consultar um profissional ao menor indício de lesão persistente é a forma mais segura de manter a saúde da boca e evitar complicações futuras.
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