O corpo do recrutador de modelos francês Daniel Siad, 69 anos, foi descoberto em sua residência na região metropolitana de Paris, informou a promotoria de Nanterre nesta quarta-feira (22/07). O francês era apontado em inquérito aberto no país por supostamente facilitar o aliciamento e o abuso de mulheres para o falecido financista norte-americano Jeffrey Epstein.
Segundo o Ministério Público, os investigadores chegaram à casa de Siad na noite de segunda-feira depois de receberem um chamado de emergência. A equipe constatou o óbito no local e abriu procedimento para esclarecer as circunstâncias.
“Uma investigação para determinar a causa da morte foi aberta na noite de segunda-feira após a descoberta”, informou a promotoria.
Embora figurasse como suspeito em processo conduzido pela unidade francesa de combate ao tráfico de pessoas, Siad ainda não havia sido formalmente interrogado. Em manifestações anteriores, ele negara todas as acusações e afirmara esperar a oportunidade de apresentar sua versão.
Os promotores adiantaram que uma autópsia será realizada nos próximos dias para identificar a causa exata da morte. Até o momento, não houve divulgação de pistas que indiquem crime ou suicídio, e nenhuma linha de investigação foi descartada.
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O nome de Daniel Siad aparece em mais de mil páginas de documentos desclassificados que integram os chamados “arquivos Epstein”. Nesses papéis, constam mensagens enviadas pelo recrutador ao financista ao longo de vários anos; em uma delas, datada de 2014, ele comparou o trabalho de encontrar novas modelos a uma atividade de pesca.
“Nessa correria, me sinto como um pescador: às vezes pego bastante peixe, às vezes não pego nada”, escreveu Siad a Epstein.
Na mesma correspondência, o francês sustentou ter sido enganado e disse que o americano “se aproveitou de sua confiança”. O conteúdo serviu de base para ampliar a apuração das autoridades francesas, que investigam possíveis crimes de tráfico humano e estupro atribuídos a Siad.
O caso lembra episódios anteriores envolvendo pessoas próximas a Epstein. Em 2020, o agente de modelos Jean-Luc Brunel foi preso na França sob suspeita de recrutar mulheres para o bilionário americano; dois anos depois, ele foi encontrado morto em uma cela de prisão em Paris. O próprio Epstein morreu em Nova York, em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.
Com a morte de Siad, investigadores franceses avaliam como prosseguir na obtenção de provas e depoimentos de vítimas que afirmam ter sido aliciadas na Europa. A promotoria ressaltou que o inquérito permanece ativo e que qualquer conclusão dependerá do laudo pericial e da análise de material apreendido na residência do francês.
Até que a autópsia seja concluída e o laudo seja anexado ao processo, as autoridades não descartam nenhuma hipótese, mantendo em sigilo detalhes sobre os próximos passos da investigação.
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