O senador Romário (PL-RJ) comunicou nesta terça-feira, 30 de junho, que abriu mão da remuneração parlamentar referente ao período de 11 de junho a 19 de julho, intervalo em que a Copa do Mundo de 2026 ocorre no Canadá, nos Estados Unidos e no México. A decisão, segundo ele, foi tomada para evitar qualquer questionamento sobre eventual acúmulo de funções enquanto exerce o papel de comentarista esportivo em transmissões do Mundial.
Em nota distribuída pela assessoria, o ex-atacante esclareceu que a renúncia salarial “não altera o exercício do mandato parlamentar”. O texto ressaltou que o congressista permaneceria acompanhando as sessões deliberativas por meio de sistema remoto, com registro de presença e participação em votações eletrônicas, assegurando, assim, a representação do Estado do Rio de Janeiro no Senado Federal.
Ainda na terça-feira, Romário se pronunciou no Plenário por videoconferência. Ele enfatizou que poderia ter solicitado licença, mas preferiu se manter ativo nos trabalhos legislativos por considerar que a presença virtual garante o cumprimento de suas obrigações. No discurso, reforçou que projetos de amplo impacto social seguem em tramitação e exigem mobilização dos senadores.
“Os compromissos e as posições políticas são o que realmente importa, e não onde cada um esteja fisicamente”, declarou.
Entre as matérias que pretende acompanhar de perto está a Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC do fim da escala 6×1, que reduz a carga semanal de trabalho e amplia o descanso sem corte de salário. O parlamentar adiantou voto favorável ao texto, argumentando que a medida pode elevar a qualidade de vida de milhões de trabalhadores sem comprometer a produtividade das empresas.
Mesmo atuando como comentarista, o campeão mundial de 1994 garantiu que seu cronograma esportivo foi organizado para não coincidir com os horários de sessão. Dessa forma, a participação em programas sobre futebol, segundo ele, ocorrerá apenas quando não houver pauta de votação.
A renúncia salarial abrange 39 dias de vencimentos, que somariam pouco mais de R$ 42 mil brutos. O valor permanecerá nos cofres do Senado. Embora outros parlamentares já tenham adotado medidas semelhantes em situações pontuais, a atitude de Romário ganhou destaque por acontecer durante um dos eventos esportivos de maior repercussão global.
Nos bastidores, colegas consideraram a iniciativa positiva. Integrantes da bancada fluminense avaliaram que o gesto sinaliza preocupação com a ética e reforça a narrativa de que tarefas parlamentares podem ser conciliadas com outras atividades profissionais, desde que não resultem em ônus adicional para o erário.
Especialistas em direito administrativo lembram que a Constituição não proíbe senadores de exercerem funções paralelas remuneradas, desde que não haja conflito de interesses nem prejuízo ao mandato. Romário, ao abdicar do salário, buscou afastar qualquer discussão sobre incompatibilidade ou privilégio.
O senador encerrou a participação remota reiterando apoio a projetos voltados à inclusão social e ao esporte. Ele garantiu que, tão logo o Mundial termine, voltará a Brasília para retomar presença física nas comissões e nas reuniões de lideranças. Até lá, continuará dividindo o tempo entre os comentários sobre a performance da Seleção Brasileira e a análise de propostas que tramitam no Congresso.
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