Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo teve atuação apagada e Portugal ficou no 1 a 1 com o Congo. Seca do craque já passa de dez jogos sem gol em Copas.
Cristiano Ronaldo iniciou sua sexta Copa do Mundo com um empate por 1 a 1 diante da República Democrática do Congo e voltou a ouvir questionamentos sobre sua influência aos 41 anos. O capitão tocou poucas vezes na bola, finalizou três e saiu de campo sem balançar a rede, ampliando para dez partidas e 33 arremates a seca que começou após o pênalti convertido contra Gana, no Catar, em 2022.
Com apenas um ponto conquistado, Portugal encara o Uzbequistão nesta terça-feira (23), em Houston, pela segunda rodada do Grupo K. O rival, visto como tecnicamente inferior, surge como chance de virada para o maior artilheiro da história das seleções, hoje reacomodado como centroavante de mobilidade reduzida – mudança iniciada quando trocou a elite europeia pelo Al-Nassr, da Arábia Saudita, no começo de 2023.
No estádio texano, o português foi inevitavelmente comparado a Kylian Mbappé e Harry Kane, que marcaram duas vezes, e a Lionel Messi, autor de um hat-trick, todos também em estreia. Questionado sobre o rendimento, o camisa 7 preferiu relativizar.
“Não faltou nada. Futebol é isso. Portugal podia ter vencido, mas também podia ter perdido”, avaliou.
Mesmo adversários engrossaram a discussão. O congolês Ngal’ayel Mukau resumiu:
“Ele não é mais o jogador que já foi… Na idade dele, não consegue se esforçar como antes, mas tenho enorme respeito.”
Roberto Martínez, contratado para suceder Fernando Santos, mantém confiança irrestrita no veterano. O espanhol explicou por que não o substituiu.
“Em um jogo assim, com dificuldade para entrar na área, é preciso aproveitar as qualidades do Ronaldo. Não faria sentido tirar o maior artilheiro da história em uma partida em que você precisa marcar.”
O zagueiro Rúben Dias também tentou estancar rumores de divisão interna.
“Para mim, tudo o que está relacionado com esse tema é completamente indiferente… Estamos todos juntos em busca de um sonho.”
Enquanto Gonçalo Ramos aguarda nova chance no banco, a seleção procura soluções coletivas que potencializem seus talentos e aliviem a pressão sobre o ídolo. O passado recente mostra que Portugal já foi longe sem depender exclusivamente do astro – como no título da Euro-2016 –, mas também evidencia que a equipe nunca passou das semifinais de um Mundial, façanha alcançada apenas em 2006.
Com a idade avançada, Cristiano ressignificou seu jogo: deixou de ser o ponta veloz que atuava aberto pelo flanco e hoje se posiciona mais próximo da pequena área, tentando capitalizar cruzamentos. Físico e ritmo, contudo, viraram munição para detratores.
Na matemática do torneio, uma vitória nesta terça recoloca Portugal na briga direta por vaga nas oitavas e, de quebra, garante trégua temporária ao capitão. Qualquer tropeço, porém, alimentará o debate que se repete a cada grande competição: até quando a experiência de um dos maiores de todos os tempos compensará o declínio atlético inevitável?
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