O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (25) que a eventual cobrança de um pedágio por parte do Irã a navios que atravessem o Estreito de Ormuz representa uma ameaça direta às regras de navegação internacional. Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, a medida abriria um precedente perigoso e poderia desencadear reações em cadeia em outras rotas marítimas estratégicas.
“As vias navegáveis internacionais não pertencem a nenhum Estado. Este é um princípio fundamental no mundo atual, sem o qual o mundo estaria mergulhado no caos total”, declarou Rubio durante reunião do Conselho de Cooperação do Golfo, realizada no Bahrein.
O estreito localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã é responsável pelo fluxo de cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. Por essa razão, qualquer alteração nas regras de trânsito marítimo é recebida com preocupação por países importadores e exportadores de energia, além de operadores de logística.
Rubio acrescentou que, caso a comunidade internacional aceite a cobrança de tarifas simplesmente porque determinada rota passa próxima ao território de um país, a prática poderá “espalhar-se pelo mundo como contágio”, atingindo corredores navais como o Canal de Suez e o Estreito de Malaca.
“Se de fato aceitamos que se pode cobrar dinheiro pelo uso de uma via navegável internacional só porque ela está próxima do seu espaço territorial, então isso vai se espalhar pelo mundo”, completou o secretário.
A posição de Washington ecoou entre representantes dos seis países membros do Conselho de Cooperação do Golfo. Diplomatas presentes à sessão classificaram a fala de Rubio como um “alerta oportuno” diante da escalada de tensões regionais.
Paralelamente ao debate sobre pedágio, negociadores dos Estados Unidos e do Irã retomaram na segunda-feira (22), na Suíça, o segundo dia de diálogos diretos em busca de um acordo para encerrar, de forma definitiva, o conflito armado que opõe os dois países. As conversas começaram sob tensão, após declarações duras do presidente norte-americano, Donald Trump, contra Teerã, mas avançaram graças à mediação do Catar e do Paquistão.
De acordo com fontes diplomáticas, houve “progresso encorajador” na discussão de um cessar-fogo no Líbano e na criação de mecanismos de monitoramento do tráfego no Estreito de Ormuz. Um representante norte-americano destacou que, embora persistam divergências, ambas as delegações concordaram em estabelecer canais de comunicação permanentes para evitar incidentes marítimos.
Analistas de segurança avaliam que a ameaça de pedágio pode ser utilizada por Teerã como moeda de troca nas negociações em curso. Para especialistas, a postura de Rubio sinaliza que Washington pretende manter pressão diplomática e econômica até que o Irã abandone publicamente a ideia.
Enquanto isso, armadores e seguradoras observam o cenário com cautela. Empresas de transporte de petróleo alertam que qualquer taxa adicional no Estreito de Ormuz elevaria custos e poderia repercutir no preço do barril. Já governos da região manifestaram disposição em reforçar patrulhas conjuntas para garantir a livre navegação.
Sem acordo formal até o momento, as tratativas seguem em Genebra, onde equipes técnicas devem concluir nos próximos dias um relatório preliminar sobre segurança marítima. A expectativa é de que os resultados sejam apresentados em nova reunião multilateral agendada para julho.
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