Ataques russos com drones e mísseis atingiram Kiev, encerrando trégua durante visita de enviados dos EUA. Prefeito Klitschko informou 3 mortos; ministro do Interior relatou 16 feridos e buscas por vítimas.
A calmaria que pairava sobre Kiev durou pouco. Na madrugada desta terça-feira (08/09), forças russas bombardearam a capital ucraniana com uma combinação de drones e mísseis, quebrando a trégua temporária adotada durante a passagem de enviados norte-americanos que negociavam uma possível saída diplomática para o conflito.
Segundo o prefeito Vitali Klitschko, três pessoas morreram e incêndios se espalharam por diversos bairros. O ministro do Interior, Ivan Vyhivskyi, relatou 16 feridos e destacou que as equipes de resgate ainda vasculham áreas atingidas.
Autoridades locais contabilizam 14 prédios danificados, além de um dormitório estudantil, uma escola, uma clínica e depósitos. O impacto dos projéteis também foi sentido em outras partes do país: o primeiro-ministro Sergii Koretskyi afirmou que oito regiões sofreram investidas simultâneas, inclusive a linha férrea da região de Sumy, onde cerca de 100 passageiros foram retirados às pressas de um trem avariado.
“Kiev estava explodindo e pegando fogo”, declarou Katarina Mathernova, representante da União Europeia na Ucrânia.
O ataque ocorreu dois dias depois da partida de Jared Kushner e Steve Witkoff, encarregados de dialogar com o presidente Volodymyr Zelenskiy em nome do governo dos Estados Unidos. Durante a estada deles, tanto Moscou quanto Kiev suspenderam bombardeios às capitais para garantir a segurança das reuniões.
“No momento em que os enviados de paz dos EUA partiram, Putin lançou outro ataque massivo e terrível”, publicou Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores ucraniano, na rede X.
Sybiha pediu que países aliados reforcem a pressão econômica e militar sobre Moscou, citando a escassez de interceptores capazes de neutralizar mísseis balísticos. Zelenskiy, também no X, classificou a ofensiva como “complexa” por combinar mísseis balísticos, de cruzeiro, navais e drones do tipo Shahed.
O Ministério da Defesa russo afirmou ter atingido “instalações militares e logísticas” na região de Kiev e no porto de Chornomorsk, no Mar Negro. Já em Odessa, três pessoas ficaram feridas após a explosão de projéteis em um mercado nos arredores da cidade portuária.
Especialistas em defesa observam que os mísseis balísticos continuam sendo o maior desafio para os sistemas antiaéreos ucranianos, tecnologia cujo reabastecimento depende, em grande parte, de ajuda externa. Enquanto diplomatas tentam reativar canais de negociação, a população da capital volta a viver sob o som constante das sirenes e o receio de novos ataques.
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