Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, muitos eleitores ainda definem seu voto entre escândalos midiáticos e debates programáticos dispersos. Especialistas orientam mapear prioridades pessoais e conferir propostas e histórico dos candidatos.
Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda avaliam qual nome representa melhor suas pautas. A avalanche de notícias sobre o caso Master e a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal acabou ofuscando o debate programático. Mesmo assim, especialistas ouvidos apontam caminhos para a escolha de candidatos de forma mais crítica e informada.
O ponto de partida sugerido é compreender seus próprios interesses. Entender quais temas impactam diretamente a vida pessoal, familiar e profissional torna a busca por representantes mais objetiva. Além disso, conhecer as atribuições de cada cargo evita cair em promessas que fogem da alçada do eleito.
Olho no espelho
Especialistas lembram que não há políticas neutras: cada decisão pública produz vencedores e perdedores. Por isso, a autoanálise é indispensável. Perguntas que ajudam nesse exercício:
- Grupo social e econômico: a qual segmento pertenço e como ele é afetado pelas políticas públicas?
- Visão de mundo: que ideologias, princípios ou causas considero prioritários?
- Problemas a resolver: quais questões quero ver no topo da agenda governamental?
“Por isso é fundamental o eleitor saber quais são seus interesses políticos e econômicos”, observa o professor de Ciência Política João Feres Júnior.
Ele pondera que muitos cidadãos carecem de informações confiáveis para relacionar interesses pessoais a propostas concretas. Sem esse filtro, cresce o risco de votar em discursos genéricos ou em nomes conhecidos que funcionam como “puxadores de voto”.
O que faz cada cargo
Conhecer as competências legais impede frustrações e ajuda a distinguir promessas viáveis das inviáveis.
Presidente da República
- Executar a administração federal
- Nomear e exonerar ministros e outros cargos
- Comandar as Forças Armadas
- Enviar ao Congresso a LDO e o Orçamento anual
- Sancionar, promulgar ou vetar leis aprovadas
- Firmar tratados e manter relações exteriores
Governador
- Nomear e exonerar secretários estaduais
- Sancionar ou vetar leis da Assembleia Legislativa
- Administrar a segurança pública e indicar comandos das polícias
- Gerir escolas, hospitais regionais e rodovias estaduais
- Decretar intervenção em municípios, quando previsto em lei
Deputados (federais, estaduais ou distritais)
- Aprovar e alterar leis
- Fiscalizar o Executivo por meio de comissões e CPIs
- Participar da elaboração do Orçamento, indicando emendas
Senadores
- Representar a unidade federativa no Congresso
- Discutir e votar leis federais
- Sabatinar indicados ao Supremo Tribunal Federal e outras autoridades
“Parte das pessoas tem pouca informação sobre as competências dos legisladores”, alerta a socióloga Débora Messemberg, da Universidade de Brasília.
Segundo ela, quando um postulante ao Legislativo promete construir hospital ou asfaltar ruas, sinaliza desconhecer — ou ignorar — seus próprios limites constitucionais. Para o eleitor, reconhecer esse deslize é passo decisivo para separar propostas factíveis de meras fantasias eleitorais.
Ainda que o processo pareça complexo, a combinação de autoconhecimento, verificação de funções e análise de propostas concretas eleva as chances de um voto alinhado às reais necessidades de cada segmento da sociedade. Com esse roteiro, o eleitor passa de espectador a protagonista no jogo democrático.
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